Poder e Governo

'A Turma': como funcionava o grupo investigado por ameaças que levou à prisão de pai de Vorcaro

Grupo atuava para intimidar desafetos, acessar informações sigilosas e promover invasões a dispositivos informáticos em benefício de Vorcaro

Agência O Globo - 14/05/2026
'A Turma': como funcionava o grupo investigado por ameaças que levou à prisão de pai de Vorcaro
Henrique Vorcaro

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, durante a sexta fase da operação que apura fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. A nova etapa tem como alvos membros da chamada “A Turma”, estrutura utilizada pelo grupo de criminosos para intimidar desprotegidos, acessar informações sigilosas e realizar invasões a dispositivos informáticos.

A terceira fase da operação também investigou o grupo “A Turma”. Segunda decisão que fundamentou a ação policial em março, o grupo foi coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas comunicações como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”. Ele era responsável por organizar uma estrutura dedicada ao monitoramento de pessoas e à obtenção de informações seguras.

De acordo com as investigações, o grupo realizou atividades de vigilância e coleta de dados sobre indivíduos considerados de interesse do esquema. Além disso, atuava para pressionar ou intimidar pessoas que se posicionassem de forma crítica em relação ao banco ou a seus dirigentes.

Em mensagem interceptada pela PF, Daniel Vorcaro orienta Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, a “dar um sacode” em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário. "O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar", diz Vorcaro na mensagem.

Em outra ocasião, Vorcaro pede a Mourão para "moer" uma empregada que o estaria ameaçando: "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda." Mourão então questiona: "O que é para fazer?". Vorcaro responde: "Puxa endereço tudo".

A PF chegou a pedir a prisão preventiva de Vorcaro e Mourão ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo crime de coação no curso do processo. Mourão morreu após ser preso pela PF, na superintendência da corporação em Minas Gerais.

“Nesse contexto, o investigado (Mourão) organizou e executou diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, detalhou a decisão judicial.

As investigações apontam que Mourão recebeu uma remuneração de R$ 1 milhão por mês pelos "serviços ilícitos", que incluíam a consulta de dados sobre os alvos em bases abertas e também em sistemas restritos de forças de segurança, como Polícia Federal e Ministério Público Federal.

No despacho, Mendonça afirma que Mourão exercea "papel central" na cooperação do grupo e "mantinha relação direta de prestação de serviços com Daniel Bueno Vorcaro, participante como responsável pela execução de atividades externas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado".