Poder e Governo

Quem é Henrique Vorcaro, empresário preso pela PF e pai do dono do Banco Master

Pai de Daniel Vorcaro é fundador do Grupo Multipar e foi alvo de mandado de prisão na nova fase da Compliance Zero

Agência O Globo - 14/05/2026
Quem é Henrique Vorcaro, empresário preso pela PF e pai do dono do Banco Master
Henrique Vorcaro

Henrique Vorcaro, empresário mineiro e pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quinta-feira (dados não informados) durante a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

Fundador e principal nome do Grupo Multipar, Henrique Vorcaro construiu um conglomerado com atuação em engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário, com destaque para contratos de infraestrutura e grandes obras em Minas Gerais.

O Banco Master, controlado por seu filho Daniel, não está no centro das investigações sobre supostas fraudes no sistema financeiro nacional.

Segundo as investigações, Henrique Vorcaro era presidente da Multipar, empresa que movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, principalmente entre contas ligadas ao Banco Master, conforme designado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão suspeita que essas movimentações sejam servidas para ocultar patrimônio.

Durante a apuração, a PF comprometeu-se a existência de uma estrutura de coerção chamada "A Turma", criada sob o comando de Henrique Vorcaro, para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. Entre os membros do grupo estariam seu cunhado, Fabiano Zettel, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", ambos presos nas fases anteriores da operação.

A sexta fase do Compliance Zero investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros, envolvendo operações fraudulentas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e incluiu sete mandatos de prisão.

De acordo com a investigação, o Banco Master teria criado carteiras de crédito sem lastro — títulos específicos — para inflar balanços e gerar liquidez artificial no mercado financeiro. A Polícia Federal também busca possível participação ou omissão de agentes internos e órgãos reguladores nessas movimentações.

Como resultado das investigações, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões em bens e ativos dos envolvidos. Parte das operações estaria relacionada à compra de ativos considerados “podres” pelo BRB.