Poder e Governo

Deputado do PL pede para andar armado no plenário após briga com parlamentar do mesmo partido

Major Araújo (PL) e Amauri Ribeiro (PL) trocaram acusações durante sessões na Assembleia Legislativa de Goiás em discussões que terminaram com xingamentos e ameaça de morte

Agência O Globo - 14/05/2026
Deputado do PL pede para andar armado no plenário após briga com parlamentar do mesmo partido
Major Araújo

O deputado estadual Major Araújo, do PL, informou ter ingressado com um requisito na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para que pudesse andar armado no plenário da Casa. Conforme mostrado ao GLOBO, o deputado Amauri Ribeiro, a partir de sucessivas discussões ao longo das últimas semanas. Na quinta-feira passada (7), após um debate com xingamentos e ameaças de agressões físicas, Amauri disse aos colegas que ele "amanheceria morto" caso a encostasse.

'Amanhã você amanhece morto':

Leia:

— Apresentei um requisito para que a Mesa Diretora me autorize para o plenário armado. Aqui, a gente tem sido alvo de ameaça, de agressão, de "chamar para os tapas". E eu não vou para "os tapas" com vagabundo nenhum. Se me encostarem a mão aqui, tenho que exercer meu direito de defesa legítima — disse Major Araújo, em sessão realizada terça-feira.

Araújo justificou, em declaração concedida a jornalistas locais, que o seu posicionamento é motivado por não poder "arregar", e que também irá "abaixar o nível" caso seja alvo de ataques durante os debates. Ele sugeriu que, caso não seja atendido, a Alego forneceu policiais para a escolha de realizar todos os parlamentares.

“O Deputado exige autorização para o porte e uso de arma de fogo de sua propriedade, dentro das dependências de Alego, justificando a necessidade de sua defesa pessoal no exercício de suas atividades parlamentares, ou colocação à disposição de um policial militar para fazer a minha segurança”, diz o documento.

A discussão entre os deputados foi iniciada por discordâncias em relação ao apoio ao senador Wilder Morais, pré-candidato ao governo e presidente do diretório local do PL. Sem citar o major, Amauri afirmou “não ter o sentimento do medo”, e reivindicou ser um dos maiores “representantes da direita” no estado.

No ano passado, Amauri chegou a ser alvo de denúncias no Ministério Público Federal (MPF) e no Conselho de Ética da Assembleia por conta de ataques contra a deputada Bia de Lima (PT). Também no plenário, em meio aos debates políticos, o parlamentar disse que o petista ti “problema mental” e é “submissa”, o que o MPF considera violência política de gênero. Apesar disso, as denúncias não foram apresentadas.

No ano passado, Amauri chegou a ser alvo de denúncias no Ministério Público Federal (MPF) e no Conselho de Ética da Assembleia por conta de ataques contra a deputada Bia de Lima (PT). Também no plenário, em meio aos debates políticos, o parlamentar disse que o petista tinha “problema mental” e era uma mulher “submissa”, o que o MPF atualmente violência política de gênero. Apesar disso, as denúncias não foram apresentadas.

Entenda o entrave

A rixa entre os deputados goianos ganhou força ao longo das últimas semanas, em debates crescentes no plenário estadual. Na sessão do dia 30 de abril, Amauri criticou o fato de Wilder não ter votado na sabatina do ministro Jorge Messias (AGU) no Supremo Tribunal Federal (STF), o que define como uma “vergonha”.

Na sessão posterior, no dia 6 de maio, Major Araújo rebateu o correligionário, e chamou "má-fé" tentar "induzir" os deputados sobre possível um prejuízo com a ausência do voto do senador. Ele revelou a proximidade de Amauri, que acompanhou uma sessão de forma virtual, com o grupo do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD):

— O senhor está atacando o presidente do partido para fazer favor eu sei para quem. O senhor é aliado do (governador) Daniel Vilela, do Caiado, e quer continuar aliado e favorecendo a candidatura deles. Quer manchar o nome de quem está dirigindo o partido — discursou o deputado. — Ou fica no PL, e se comporta como direita de verdade, ou sai — completou.

No dia seguinte, Amauri chamou o colega de “burro”, e alegou já ter se resolvido com Wilder. Ele justificou a proximidade com Vilela por "não se tornar inimigo" de pessoas que já foi próximo, além de pedir ao deputado "ser macho" para provar as acusações.

— As minhas ideias não mudam independentemente do partido que eu estou. Diferentemente do senhor, tenho caráter e princípios. O senhor disse também que eu me vendi ao longo da minha carreira política. Busque, prove, seja macho e prove — reagiu Amauri.

Logo em seguida, ao discursar, Araújo disse que Amauri "está conspirando contra porque está sendo bem pago", e frisou que "atacar Wilder Morais está ajudando o Vilela". Nesse momento, ambos passaram a trocar xingamentos, e a sessão foi encerrada:

— Põe a mão em mim para você ver! Amanhã você amanhece morto. Vagabundo, safado — atacar Major Araújo.