Poder e Governo
Flávio Bolsonaro insiste em CPI do Master para tentar se afastar de escândalo
Após troca de áudios com banqueiro Daniel Vorcaro, presidenciável reforça defesa de investigação parlamentar
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou a defesa da criação de uma CPI para investigar o Banco Master, numa estratégia para tentar se dissociar politicamente do escândalo envolvido na instituição financeira. A transação ocorre após a divulgação de um áudio em que Flávio pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O áudio, revelado pelo The Intercept Brasil na quarta-feira, mostra o senador demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao filme “Dark Horse”, produção que retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.
Na gravação, Flávio cita a necessidade de honrar compromissos financeiros financeiros com membros da equipe do longa, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh .
Após a divulgação da reportagem, a cúpula da pré-campanha de Flávio realizou uma reunião de emergência para discutir os impactos políticos do caso e definir estratégias de incidentes. Participaram do encontro o presidente do PL, Valdemar Costa Neto , o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a advogada Maria Claudia Bucchianeri , integrante da equipe jurídica do senador.
A reunião foi convocada logo após a publicação da reportagem e teve como foco calibrar o tom da resposta pública e avaliar possíveis danos à construção da candidatura presidencial de Flávio.
O episódio gerou desconforto nos bastidores, já que, nas últimas semanas, Flávio vinha afirmando aos aliados que não mantinha a próxima relação com Vorcaro e que seu envolvimento com o banqueiro era apenas superficial. A divulgação do áudio passou a ser vista dentro da própria campanha como um fator que dificulta esse discurso.
Em nota, Flávio afirmou que buscou “patrocínio privado para um filme privado” e negou qualquer irregularidade na relação com Vorcaro. Segundo o senador, ele conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024, quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas” sobre o empresário.
Flávio também declarou que não ofereceu vantagens em troca de apoio financeiro, nem intermediou negócios junto ao poder público. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", afirmou.
Na mesma nota, o senador tentou deslocar o foco do episódio para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforçou a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. "Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do MASTER JÁ", declarou.
No campo governamental, aliados de Lula passaram a explorar o episódio em discursos e publicações nas redes sociais. Os parlamentares da base avaliaram, nos bastidores, que o caso reforça a estratégia de comunicação que busca associar o bolsonarismo ao Banco Master, numa explosão apelidada entre governantes do “Bolso Master”.
Nessa mesma linha, aliados do Planalto também defendem a instalação de uma comissão investigativa no Congresso para apurar o escândalo do Mestre. No entanto, confirmam que as hipóteses de avanço são reduzidas, repetindo o que ocorreu com outras tentativas anteriores.
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