Poder e Governo
Aliados do governo celebram denúncias, mas Flávio Bolsonaro segue na disputa eleitoral
Guilherme Boulos foi o único ministro a comentar publicamente o caso e pediu cassação do senador
Aliados do governo comemoraram as revelações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar do entusiasmo no Planalto, a avaliação é de que a notícia abala, mas não retira Flávio da corrida eleitoral.
Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideram que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro seria a principal alternativa dos adversários para uma eventual substituição, mas veem essa possibilidade como pouco provável no momento.
Entre os ministros, o único a se manifestar publicamente foi Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, que defendeu a cassação do mandato de Flávio Bolsonaro.
— É muito grave. Não estamos falando de ilação, de suspeita, de delação sem prova, estamos falando de um áudio. A não ser que se diga que esse áudio é mentiroso, que não é a voz do senador Flávio Bolsonaro ou que o áudio foi adulterado. Se esse áudio de fato é do Flávio Bolsonaro, a discussão não é nem só sobre CPI, é sobre o mandato dele no Senado, que tem que ser cassado.
Boulos também ressaltou que as conversas entre Flávio e Vorcaro ocorreram quando o Banco Master já estava sob investigação.
Integrantes da pré-campanha de Lula afirmam que o tema será conduzido prioritariamente pelo PT neste momento. O partido agiu rapidamente nas redes sociais, republicando o áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro e divulgando uma montagem de vídeo da pré-campanha do senador assistindo ao próprio áudio. A fala de Flávio ao banqueiro deve ser amplamente explorada pelo PT.
Parte dos governistas utiliza o episódio para não apenas associar o escândalo financeiro ao bolsonarismo, mas também sugerir que novos desdobramentos podem surgir, com potencial de atingir a oposição.
Sem entrar em detalhes ou mencionar casos específicos, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que outros acontecimentos ainda podem vir à tona.
— Não sei se vai inviabilizar (a candidatura de Flávio), mas seguramente ele tem muita explicação para dar à população sobre essa questão. Ele ficava apontando o dedo para o outro lado e “afasta de mim esse cálice”. Não é assim; quando sobe na tribuna e chama todo mundo de ladrão, é porque, em geral, está querendo fugir de ser chamado de ladrão. Vamos esperar; não sei se é só isso que vem. Bota a ponta do iceberg e um puxa e vem uma corda de caranguejo, como a gente diz na Bahia.
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