Poder e Governo
Campanha de Flávio convoca reunião de emergência após reportagem sobre negociação para filme de Bolsonaro
Participam das conversas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho
A cúpula da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou, nesta quarta-feira, uma reunião de emergência para discutir os impactos políticos da reportagem publicada pelo Intercept Brasil. O texto revela negociações entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo relatos obtidos pelo jornal O GLOBO, participam do encontro o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho, que coordena a pré-campanha, e a advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica de Flávio, que chegou ao local por volta das 17h.
A reunião foi convocada poucos minutos após a divulgação da reportagem, com o objetivo de calibrar o tom da resposta pública e avaliar possíveis danos à construção da candidatura presidencial do senador.
Nos bastidores, a avaliação sobre o impacto político do episódio é dividida. Parte dos aliados considera a denúncia uma “bomba” com potencial de prejudicar a pré-campanha, sobretudo porque o entorno de Flávio vinha tentando dissociar o bolsonarismo do escândalo envolvendo o Banco Master.
Integrantes do núcleo político admitem que ainda não há consenso sobre a estratégia de resposta.
Em um áudio divulgado pelo Intercept, Flávio Bolsonaro pressiona pelo investimento no momento em que os responsáveis pela produção enfrentavam dificuldades para cumprir compromissos financeiros.
"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", diz Flávio, segundo o Intercept.
O ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em "A Paixão de Cristo", interpreta Jair Bolsonaro no filme.
No áudio, o senador expressa preocupação com a possibilidade de inadimplência com o ator e o diretor Cyrus Nowrasteh:
"Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh, o diretor]. Os caras renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim. Agora que é a reta final a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo", afirma Flávio na mensagem.
A campanha avalia se deve adotar uma postura de confronto com a reportagem, minimizar o episódio ou evitar ampliar o tema publicamente.
Há também uma ala do PL que demonstra mais tranquilidade. Interlocutores ligados à campanha afirmam que, apesar do desgaste político e da repercussão negativa, a reportagem não apresenta até o momento indícios diretos de corrupção ou ilegalidade envolvendo Flávio.
Esse grupo aposta que o caso deve perder força nos próximos dias e não terá efeitos duradouros sobre a pré-candidatura presidencial.
De acordo com o Intercept, o envolvimento de Vorcaro teria sido negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, com participação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias. Procurado pela reportagem, Flávio negou as informações e classificou a história como "mentira".
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