Poder e Governo
Encontro frio entre Lula e Alcolumbre evidencia distanciamento após derrota no Senado
Solenidade do TSE marcou o primeiro encontro público entre Lula e Alcolumbre desde a rejeição de Jorge Messias ao STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, protagonizaram uma interação estritamente protocolar antes do início da cerimônia de posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, nesta terça-feira. Durante toda a solenidade, ambos permaneceram lado a lado, mas não trocaram sequer uma palavra.
Segundo interlocutores do presidente Lula, uma reaproximação entre as duas autoridades está distante. O episódio reforçou a percepção de que Lula não tem pressa em marcar um encontro pessoal com Alcolumbre.
Este foi o primeiro encontro público entre Lula e Alcolumbre desde a derrota histórica imposta pelo Senado ao Palácio do Planalto, quando foi rejeitada a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), há duas semanas.
No espaço reservado das autoridades, conhecido como sala de togas, Lula e Alcolumbre limitaram-se a um aperto de mão e um tapinha nas costas ao se encontrarem.
Devido ao anúncio do fim da chamada "taxa das blusinhas" no Palácio do Planalto, Lula chegou atrasado à cerimônia e cumprimentou Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Pouco depois, todos foram chamados pelo cerimonial do TSE para compor a mesa solene. Relatos de bastidores confirmam que Lula e Alcolumbre não mantiveram conversa durante o evento.
Enquanto aguardavam para serem anunciados, Lula dialogou com a ministra Cármen Lúcia, que passou o comando do TSE para Kássio Nunes Marques, enquanto Alcolumbre conversava com Hugo Motta.
Segundo um aliado do presidente, Lula não demonstrou incômodo em relação a Alcolumbre.
Para o entorno de Lula, a rejeição a Jorge Messias foi articulada por Alcolumbre, que teria se mostrado contrário à escolha do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) desde o início. O senador defendia a indicação de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um de seus principais aliados. Publicamente, Alcolumbre nega qualquer atuação nesse sentido.
O momento mais constrangedor da solenidade ocorreu quando Alcolumbre foi o único integrante da mesa que não aplaudiu o advogado-geral da União.
Durante o discurso, Simonetti fez referência a Jorge Messias, que recebeu 30 segundos de aplausos da plateia e da mesa solene. Alcolumbre, sentado ao lado de Lula, permaneceu impassível.
— Cumprimento a advocacia do Brasil, nas pessoas dos diretores do conselho federal presentes, mas cumprimento especialmente a advocacia brasileira na pessoa de um querido amigo que é o AGU Jorge Messias — disse Simonetti.
Para aliados do presidente, Alcolumbre "vestiu o chapéu" ao agir dessa forma, assumindo publicamente que trabalhou contra Messias, o que o senador nega.
O ambiente frio entre Alcolumbre e Lula é interpretado como sinal de que um gesto de aproximação ou um encontro pessoal ainda está distante.
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