Poder e Governo

Aliados de Flávio minimizam impacto de operação contra Ciro e destacam empate técnico com Lula

No grupo do senador, avaliação é que melhora da aprovação do governo foi impulsionada por encontro com Trump

Agência O Globo - 13/05/2026
Aliados de Flávio minimizam impacto de operação contra Ciro e destacam empate técnico com Lula
- Foto: Reprodução / Instagram

A divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira trouxe alívio ao entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após dias de apreensão sobre os possíveis efeitos eleitorais da operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas. Apesar de ainda não haver uma aliança formal entre Ciro e o PL, o parlamentar é uma das principais lideranças da oposição no Congresso e foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro.

Entre integrantes da pré-campanha de Flávio, a avaliação predominante é que o episódio causou ruído na articulação política com a federação União-PP, mas não comprometeu a construção da candidatura presidencial do PL.

O principal destaque interno foi a manutenção do empate técnico entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Lula aparece agora com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio soma 41%, ambos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 42% e Lula, 40%.

Auxiliares de Flávio admitem, em caráter reservado, que havia temor de que a operação envolvendo Ciro pudesse provocar desgaste no campo da direita, especialmente no momento de consolidação da pré-candidatura bolsonarista, após tentativas de governistas de associar o caso Master ao grupo político do senador e transformar o episódio em munição eleitoral contra o PL.

Agora, a percepção é de que o governo conseguiu, momentaneamente, aliviar a pressão sobre Lula ao transferir parte do desgaste político para a oposição, sem, contudo, converter esse movimento em vantagem eleitoral consistente sobre Flávio.

No núcleo político do senador, a leitura é de que a oscilação favorável a Lula está mais relacionada à melhora na avaliação do governo. A aprovação do petista subiu de 43% para 46%, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 49%.

Aliados de Flávio atribuem esse movimento principalmente ao relançamento do programa Desenrola e à repercussão positiva do encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Integrantes da campanha avaliam que esses episódios ajudaram Lula a interromper uma sequência de desgaste registrada desde o início do ano e a recuperar parte do eleitorado independente.

— Não gosto de comentar pesquisa, mas o que vejo é uma rejeição cristalizada a Lula. O resto é margem para cima e para baixo. Temos um candidato muito competitivo e estamos animados com o resultado — afirmou o senador Rogério Marinho, coordenador político de Flávio.

O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, aliado de Flávio, foi além e acusou o PT de tentar transferir para o bolsonarismo o desgaste das investigações sobre o Banco Master.

— Flávio não tem nada a ver com as questões pessoais do Ciro e vamos dar a presunção de inocência a ele — afirmou.

Desde o início da crise, Flávio buscou se distanciar de Ciro. Horas após a operação da PF, o senador divulgou nota classificando como “graves” as informações reveladas pela investigação e defendendo uma “ampla apuração” conduzida pelo ministro André Mendonça, do STF, indicado por Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, o movimento foi visto como tentativa de separar a pré-campanha do desgaste provocado pelo caso Master, sem romper politicamente com a federação União-PP, considerada estratégica para o projeto presidencial do PL. A postura, porém, gerou incômodo em setores do Centrão e entre aliados de Ciro, que consideraram, reservadamente, que Flávio exagerou no esforço de afastamento.