Poder e Governo
Alesp rejeita suspensão de mandato de Lucas Bove após discussão com deputada
Maioria considerou desproporcional a suspensão de 30 dias; deputado do PL também responde a outras representações no Conselho de Ética por denúncias de agressão a Cíntia Chagas.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) rejeitou, nesta quarta-feira (13), o pedido de suspensão do mandato do deputado estadual Lucas Bove (PL). O processo foi instaurado após denúncias relacionadas a discussões ocorridas durante sessões na Casa.
'Amanhã você amanhece morto':
Por 5 votos a 2, o colegiado recusou o parecer do relator, deputado Emídio de Souza (PT), que recomendava a suspensão do mandato de Bove por 30 dias. O caso, no entanto, retornará à pauta na próxima semana para definição de uma nova punição. A nova proposta de sanção será apresentada pelo deputado Eduardo Nóbrega (MDB), que afirmou considerar que as condutas de Bove "não constituem violência de gênero, mas beiram a infração e as regras de boa conduta da Casa".
Além deste episódio, Bove é alvo de duas representações no Conselho de Ética da Alesp referentes a denúncias de agressão à deputada Cíntia Chagas. Esses casos ainda não foram analisados.
Outro processo analisado
O colegiado também analisou denúncia contra o deputado Guto Zacarias (Missão), acusado de violência psicológica contra a ex-namorada e de coação para realização de aborto. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o parlamentar por supostamente ter tentado coagir a ex-companheira, de 22 anos, a interromper a gravidez em 2024, caso revelado pelo portal Brasil de Fato.
Por 4 votos a 2, o Conselho de Ética decidiu não abrir processo disciplinar contra Zacarias. A maioria dos parlamentares argumentou que o caso está em análise na esfera judicial e destacou a necessidade de "cautela institucional". Outro argumento dos deputados foi que o aborto não foi realizado e que a criança poderia ser prejudicada psicologicamente.
Discussão com deputada do PSOL
Em 2 de setembro, a deputada Mônica Seixas (PSOL) questionou o motivo de Bove estar falando com a deputada Professora Bebel (PT) com o dedo em riste e foi ao microfone do plenário abordar a situação. Em resposta, Bove dirigiu-se a outro microfone e afirmou que falava "do jeito que quiser", iniciando uma discussão acalorada. O parlamentar elevou o tom de voz, bateu a mão na mesa e proferiu frases como:
— Eu falo com a mão do jeito que eu quiser, não vem encher o meu saco, vai trabalhar, vai trabalhar! Eu não respeito você, eu não respeito você, eu não abaixo não, eu falo no tom que eu quiser, não se mete na conversa dos outros. Vem fazer graça aqui comigo, me chama de agressor, vai fazer graça para lá – disse Bove na ocasião, o que levou à suspensão da sessão e à interrupção da transmissão.
Em fevereiro, o Conselho de Ética aprovou a abertura do processo contra Bove. Após ouvir depoimentos de ambas as partes, o relator Emídio de Souza propôs a suspensão temporária do mandato. Entre as punições possíveis estavam advertência e cassação do mandato.
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