Poder e Governo

Pacheco recusa disputar governo de Minas, mas aceita dialogar com Lula

Senador alega motivos pessoais e familiares em reunião com presidente do PT; partido ainda tenta convencê-lo a entrar na disputa estadual

Agência O Globo - 13/05/2026
Pacheco recusa disputar governo de Minas, mas aceita dialogar com Lula
- Foto: Reprodução / Instagram

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) comunicou ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, que não pretende concorrer ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026 , apesar da pressão do partido para mantê-lo como principal apóstata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.

O encontro ocorreu na noite desta terça-feira, em Brasília, e foi considerado decisivo por membros do PT diante do agravamento da indefinição política em Minas. Conforme relatos, Pacheco justificou sua resistência à candidatura alegando questões pessoais e familiares.

Interlocutores vieram ao senador dizendo que ele voltou a expressar desconforto com a polarização política e a exposição nas redes sociais — fatores apontados há meses como principais obstáculos para sua eventual candidatura.

Apesar da sinalização negativa, Pacheco afirmou a Edinho Silva que pretende conversar diretamente com Lula antes de tomar uma decisão definitiva sobre seu futuro político. Segundo relatos, o senador disse buscar esse diálogo "o mais breve possível". Edinho ficou responsável por agendar o encontro entre os dois ainda nesta semana.

Mesmo após uma conversa, integrantes do PT afirmaram que Lula fará uma última tentativa pessoal para convencer Pacheco a disputar o Palácio Tiradentes. Internamente, porém, cresce a percepção de que o senador dificilmente aceitará entrar na corrida eleitoral.

Durante a reunião, Pacheco sugeriu nomes alternativos para a disputa em Minas, entre eles o empresário Josué Alencar (PSB) e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.

O encontro ocorreu em meio ao avanço das articulações para levar Pacheco ao Tribunal de Contas da União (TCU), movimento estimulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Essa possibilidade aumentou a compreensão do PT quanto ao futuro do palácio de Lula no estado.

Auxiliares de Lula avaliam que as articulações de Alcolumbre em torno do TCU representam mais um fator de pressão para afastar Pacheco da disputa estadual.

Nos bastidores, as lideranças petistas aprovaram que a indefinição de Pacheco travou articulações regionais, dificultou movimentos de partidos aliados e deixou o campo governamental sem uma definição clara, enquanto os adversários aceleraram suas estratégias em Minas.

Enquanto o campo governamental segue indefinido, a direita intensifica sua reorganização no estado. Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu interromper as negociações do PL com o grupo do governador Mateus Simões (PSD) e avançar na construção de uma aliança com os Republicanos para as eleições de 2026.