Poder e Governo

Viviane Moraes e Michelle a uma cadeira de distância e saia-justa entre Alcolumbre e Messias: as cenas inusitadas no TSE

Posse do ministro Nunes Marques reuniu personagens de diversos espectros do campo político

Agência O Globo - 13/05/2026
Viviane Moraes e Michelle a uma cadeira de distância e saia-justa entre Alcolumbre e Messias: as cenas inusitadas no TSE
- Foto: Reprodução

A comitiva do ministro Nunes Marques como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reuniu personagens de diversos espectros do campo político, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), e provocou encontros improváveis, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ambos assistiram a um grupo na mesma fileira e ficaram sentados apenas uma poltrona à distância.

No caso de Lula e Flávio Bolsonaro, não houve interação pública, apenas a presença de ambos no mesmo ambiente. Lula acompanhou a cerimônia da mesa solene enquanto Flávio sentou-se em uma área da plateia reservada aos senadores.

Flávio deve disputar as eleições de outubro para presidente da República, onde deve rivalizar com o petista em um dos pleitos com potencial de ser um dos mais acirrados dos últimos tempos. A presença de ambos na posse da nova cúpula do TSE, porém, reflete a importância que ambos dão à Corte que será responsável pela condução do próximo termo eleitoral. 

Já Michelle Bolsonaro e Viviane Barci de Moraes estavam sentadas na mesma fileira, praticamente lado a lado, separadas apenas por uma pessoa: a esposa do ex-ministro da Justiça e do STF Ricardo Lewandowski, a Iara.

A ex-primeira-dama e a esposa de Moraes, considerada um dos algozes do ex-presidente Jair Bolsonaro, se cumpriram formalmente. Ambas, no entanto, não mantiveram maiores interações. Do lado oposto de Michelle estava a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, com quem quase passou a cerimônia toda conversando. 

A solenidade também foi marcada pela primeira ocasião pública em que Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram vistos no mesmo ambiente desde a derrota de Messias para o STF no Senado.

Ao ver Messias, que estava na plateia, Lula fez um aceno com um “joinha”. Já com Alcolumbre Lula não trocou cumprimentos e nem palavras durante a cerimônia.

Um momento constrangedor ocorreu quando Alcolumbre foi o único integrante da mesa da sessão solene a não aplaudir o advogado-geral da União em uma salva de palmas puxado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti.

Ao discursar, Simonetti fez referência a Jorge Messias. O AGU recebeu 30 segundos de aplausos da plateia e da mesa solene. Alcolumbre, que estava sentado ao lado de Lula, não reagiu.

— Cumprimento a advocacia do Brasil, nas pessoas dos diretores do conselho federal presentes, mas cumprimento especialmente a advocacia brasileira na pessoa de um querido amigo que é o AGU Jorge Messias — disse Simonetti.

Após as palmas, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, cochichou com Messias ao pé do ouvido.

Aliados de Messias viram as palmas como um gesto importante de desagravo. A avaliação do entorno de Lula é que a derrota da AGU foi orquestrada por Alcolumbre, que desde o início ficou contrariado com a escolha do petista em indicá-lo. O senador defendeu o nome de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um de seus principais aliados. Publicamente, Alcolumbre negou qualquer atuação nesse sentido.

Além dessas movimentações, também foi possível ver a primeira-dama Janja Lula da Silva em conversas com o ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso. Ao longo da cerimônia, ela manteve conversas próximas com a desembargadora Rosana Fachin, esposa do presidente do STF, Edson Fachin.

Janja também cumpriu os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, com quem fez um registro fotográfico.

A primeira-dama também aplaudiu e transmitiu no momento em que Kassio Nunes Marques, em seu discurso, prestou homenagem à ministra Cármen Lúcia, falando da importância da “ocupação feminina dos espaços de poder”. Hoje, ela é a única mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal (STF). 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), potencial adversário de Lula nas eleições deste ano, enviou-se ao lado do também senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua pré-campanha.

Em diversos momentos ele olhou para o celular e conversava com o aliado. O ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o senador Otto Alencar (PSD-BA), também estavam sentados na mesma fileira que o filho de Bolsonaro.

Antes de entrar no plenário do TSE, Flávio Bolsonaro disse esperar uma condução “isenta” e “neutra” da Corte durante as eleições deste ano. O pré-candidato à Presidência pelo PL classificou como “lamentável” a condução do TSE em 2022, quando o órgão foi presidido por Alexandre de Moraes:

— O que o povo brasileiro viu nas eleições de 2022 foi muito lamentável. O próprio presidente do TSE desequilibrando a disputa. Espero neutralidade, nada além disso.

Chegaram ao auditório já com a cerimônia em curso nomes como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), o ex-ministro das Cidades Jader Filho e o ministro do STF Flávio Dino.

Em outro momento, Lula cochichou ao pé do ouvido de Kassio Nunes Marques, que retribuiu com sorrisos. Apesar de ter sido indicado por Jair Bolsonaro, o magistrado mudou do petista nos últimos anos, segundos aliados do presidente. 

Os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes cochicharam em alguns momentos da cerimônia. O ex-ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou anteriormente no ano passado, também conversou ao longo do evento com Flávio Dino, que estava sentado ao seu lado.