Poder e Governo

Lula e Alcolumbre se encontram pela primeira vez após derrota de Messias ao STF

Presidente da República e presidente do Senado sentam lado a lado em posse no TSE após tensão política

Agência O Globo - 12/05/2026
Lula e Alcolumbre se encontram pela primeira vez após derrota de Messias ao STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), participaram nesta terça-feira (28) da cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Este foi o primeiro encontro público entre ambos desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma derrota significativa para o Planalto no fim de abril.

Lula e Alcolumbre sentaram-se lado a lado na mesa de autoridades, acompanhados por representantes dos três Poderes.

No entorno do presidente Lula, a avaliação é de que Alcolumbre teria articulado a rejeição ao nome de Messias, indicado pelo petista para o STF. O senador defendia a indicação de seu aliado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), antecessor no comando do Senado. Publicamente, Alcolumbre nega envolvimento direto na articulação.

No dia da sabatina, relatos de senadores apontam que Alcolumbre telefonou para colegas pedindo votos contrários a Messias. Antes mesmo da divulgação do resultado, o presidente do Senado teria confidenciado ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que o candidato do governo seria derrotado — comentário captado pela transmissão oficial da sessão.

Mais cedo, nesta terça-feira, Alcolumbre não compareceu à cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, apesar do convite. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esteve presente na solenidade.

Considerado um dos pilares da governabilidade de Lula neste terceiro mandato, Alcolumbre se distanciou do Planalto após a indicação de Messias, fazendo críticas públicas ao governo. Agora, aliados do presidente apostam em uma aproximação com Hugo Motta, que tem buscado apoio do governo para eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ao Senado nas próximas eleições.

Após a rejeição de Messias, aliados de Lula se dividiram quanto à reação: parte defendia o rompimento com Alcolumbre e a revisão de indicações feitas por ele no governo federal; outra parte sugeria evitar o agravamento da crise com o Senado, para não prejudicar a aprovação de pautas prioritárias do Executivo.

Na semana passada, ministros de Lula, como José Múcio (Defesa) e José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), reuniram-se reservadamente com Alcolumbre, em uma tentativa de reaproximação. Múcio afirmou que o momento é de “reduzir a temperatura política” e buscar a pacificação entre as lideranças.