Poder e Governo

Alcolumbre se ausenta de evento de Lula após rejeição de Messias; Motta sinaliza apoio ao governo

Crise entre Planalto e presidente do Senado se prolonga, enquanto articulação tenta levar Pacheco ao TCU

Agência O Globo - 12/05/2026
Alcolumbre se ausenta de evento de Lula após rejeição de Messias; Motta sinaliza apoio ao governo
Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu nesta terça-feira ao lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, realizado no Palácio do Planalto, mesmo tendo sido convidado pelo governo. A ausência ocorre em meio ao agravamento da crise entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em contraste, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esteve presente à cerimônia, discursou e circulou ao lado de Lula, em gesto considerado por aliados do governo como uma tentativa de preservar a relação institucional com a Câmara. Apesar da ausência no evento, Alcolumbre deve se encontrar com Lula ainda hoje, durante a posse do ministro Kássio Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A assessoria de Alcolumbre informou apenas que o senador cumpriu “agenda institucional da Presidência do Senado” durante a manhã e, em seguida, participaria da sessão plenária da Casa. A equipe, no entanto, não detalhou quais compromissos motivaram a ausência no evento do Planalto.

No Palácio do Planalto, a ausência foi interpretada como mais um indício do distanciamento entre Lula e Alcolumbre.

Segundo relatos de senadores, Alcolumbre atuou diretamente contra a indicação de Messias, defendendo, nos bastidores, o nome do senador Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo. A derrota do governo foi lida no Congresso como uma demonstração de força política do presidente do Senado frente ao Palácio do Planalto.

Como noticiado pelo GLOBO, a crise ganhou novos contornos nos últimos dias, após Alcolumbre iniciar articulação junto a aliados para indicar Pacheco ao Tribunal de Contas da União (TCU). O movimento contraria os planos eleitorais de Lula para Minas Gerais, já que o presidente pretende manter o senador mineiro como possível candidato ao governo do estado, considerado estratégico para a disputa presidencial deste ano.

A articulação para levar Pacheco ao TCU ganhou força após a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira e passou a ser vista, na cúpula do Senado, como uma forma de “pacificar” o ambiente político da Casa em meio ao avanço das investigações.

Aliados de Lula avaliam que, ao trabalhar pela indicação de Pacheco ao tribunal, Alcolumbre não apenas esvazia o principal plano do PT para Minas, mas também amplia sua capacidade de pressão política sobre o governo após o embate envolvendo Messias.

No evento desta terça, Lula anunciou um pacote de R$ 11 bilhões para ações de segurança pública e endureceu o discurso contra o crime organizado. O presidente afirmou que o crime “muitas vezes está no meio empresarial, no Judiciário e no Congresso” e voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública, proposta que está parada há dois meses no Senado, sob comando de Alcolumbre.