Poder e Governo

Às vésperas da eleição, 6 em cada 10 brasileiros temem agressão por opção política

Pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, alerta para o risco crescente a cinco meses do pleito

Agência O Globo - 11/05/2026
Às vésperas da eleição, 6 em cada 10 brasileiros temem agressão por opção política
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O recebimento dos brasileiros diante da violência política permanece elevado, conforme revela pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Faltando cinco meses para as eleições, 60% dos entrevistados afirmaram ter medo de sofrer agressões físicas em razão de suas escolhas políticas ou partidárias. Há quatro anos, esse índice era de 68%.

Ambiente polarizado

O relatório destaca que a preocupação segue alta desde a última eleição presidencial, marcada por forte polarização, episódios de violência política e questionamentos sobre o processo eleitoral. Segundo a organização, “esse ambiente tende a elevar a percepção de risco para além da experiência objetiva imediata”.

Impacto e estatísticas

O levantamento mostra que 2,2% dos entrevistados relataram ter sido vítimas de violência política nos últimos 12 meses. Embora seja uma ocorrência menos frequente em comparação com outros crimes, a estimativa aponta que entre 2,6 milhões e 4,7 milhões de brasileiros passaram por essa situação em apenas um ano, considerando a margem de erro da pesquisa.

Perfil do medo

O temor de agressão por motivos políticos é mais expressivo entre mulheres (65%) do que entre homens (53%). Também é maior entre as classes D e E (64%), superando a classe C (59%) e, principalmente, as classes A e B (55%).

Influência do crime organizado

Outro dado relevante está relacionado à presença de grupos ligados ao tráfico de drogas e milícias. Entre os 41% dos entrevistados que se relacionam com a atuação dessas organizações em seus bairros, 59% evitam manifestar opiniões políticas por medo de represálias.

— De certa forma, virou um tabu, porque muitas vezes as facções e as milícias experimentaram os resultados eleitorais — afirma Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da FGV. Ele classifica essa dinâmica como mais um exemplo de “governança criminosa” exercida direta ou diretamente nas comunidades.

Metodologia

A pesquisa do Datafolha foi feita por meio de entrevistas presenciais com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em 137 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.