Poder e Governo

Em meio a briga interna, diretório da Rede em SP anuncia apoio a candidatura de Marina ao Senado

Sigla também confirmou a chancela à postulação de Fernando Haddad ao governo estadual, bem como à reeleição do 'projeto democrático' liderado por Lula

Agência O Globo - 22/04/2026
Em meio a briga interna, diretório da Rede em SP anuncia apoio a candidatura de Marina ao Senado
Marina Silva - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O diretório estadual da Rede Sustentabilidade anunciou nesta quarta-feira apoio à candidatura ao Senado Federal por São Paulo. O posicionamento ocorre em meio à briga interna na legenda que levou um ex-ministro do Meio Ambiente a considerar deixar o partido no início deste ano. A sigla também confirmou a chancela à postulação de Fernando Haddad ao governo estadual, bem como à reeleição do "projeto democrático liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

Entenda:

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"A Rede Sustentabilidade registra em Marina Silva uma das maiores referências éticas e políticas do Brasil e do mundo. Sua trajetória, marcada pela coerência e pela defesa intransigente da vida, da democracia e da sustentabilidade, a projetada como uma liderança indispensável em um tempo que exige coragem política e visão de futuro", disse a legenda.

O ex-ministro deseja ser candidato ao Senado por São Paulo, e lideranças da federação do PSOL com a Rede trabalham para que ela seja o segundo nome da chapa de Haddad à Casa no estado. Até o momento, a composição petista no estado já conta com Haddad como nome ao governo, e Simone Tebet (PSB) ao Senado.

A posição do diretório estadual diverge da executiva nacional da legenda. No início do mês, a alta cúpula do partido disse ter recebido com O grupo acusa Marina de recusa-se a dialogar com o diretório da sigla e alegações de que em nenhum momento sugeriu seu desligamento.

Em nota publicada nas redes sociais, o diretório nacional rebate o argumento da ala aliada de Marina, que acusa a administração de desrespeitar o princípio horizontal estruturante da legenda. O grupo comandado por Paulo Lamac argumenta que não procede “a tentativa de apresentar saídas recentes de mandatos como fruto de perseguição” e acusa a ala do ambientalista de praticar “lawfare: o uso abusivo da Justiça como instrumento de disputa interna e perseguição política”.

"Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. A democracia exige respeito às coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas", afirma a nota da sigla.

Permanência de Marina

O anúncio da decisão do ambientalista de A decisão foi tomada após a recusa de convites do PT e PSB diante de atritos na sigla que ela ajudou a financiar provocando uma debandada de aliados.

Segundo o ex-ministro, a escolha é consistente com a visão que vem defendendo publicamente: de que não “bioma da democracia brasileira, para aumentar sua capacidade de proteger-se dos constantes ataques autoritários, precisa se compor de ecossistemas partidários plurais e fortalecidos”.

"No cenário político-eleitoral de São Paulo, também pretende intensificar ainda mais minha atuação no debate público, contribuindo para a construção de alternativas que assegurem o coeficiente civilizatório do país – um desafio no qual o estado de São Paulo tem papel decisivo. Coloco, assim, meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação vencedora pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB", afirmou o ministro ao anunciar a permanência na Rede.

Conflitos na Rede

O tensionamento da relação de Marina com a sigla se aprofundou em abril do ano passado após a eleição para a presidência do diretório nacional do partido. O candidato apoiado pela ambientalista foi derrotado por Paulo Lamac, nome referendado por Heloísa Helena — que está rompida com o ex-ministro desde 2022.

Os Aliados de Marina publicaram, em dezembro, um manifesto contra a direção nacional da sigla. Eles criticam mudanças no estatuto partidário e afirmam haver uma perseguição interna contra o ex-ministro.

Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e optou por integrar a gestão de Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico.

Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro À época, a ala próxima à ex-ministra descobriu que a situação atual na sigla criou insegurança política e jurídica nas decisões futuras da atual cúpula da Rede.

A legenda disse, por sua vez, ter recebido "com surpresa a decisão" e reafirmou "seu compromisso com a lisura, a transparência e a democracia — princípios estes que sempre orientaram a sua atuação partidária".

No mês passado, o grupo de Marina teve uma nova vitória jurídica: a Justiça do Distrito Federal concedeu um liminar para dirigentes próximos ao ex-ministro na qual

A ação afirma que a resolução se trata de um “instrumento de coerção política editado às vésperas da janela partidária, o que produz reflexos diretos e imediatos no processo eleitoral, na medida em que a resolução pretende, na prática, forçar os atuais mandatários a permanecerem na agregação contra sua vontade, bloqueando qualquer política de negociação que implique eventual desfiliação”.