Poder e Governo
Vorcaro recorre nos EUA para evitar rastreamento de bens destinados a credores do Master
Juiz autoriza intimação de empresas e determina abertura de registros financeiros e comunicações do banqueiro
Enquanto negocia um acordo de colaboração premiado no Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro tenta barrar uma investigação sobre suas finanças pessoais nos Estados Unidos. Os advogados do dono do Banco Master apresentaram um recurso na Justiça americana, nesta segunda-feira, buscando reverter a decisão que permitiu a intimação de empresas para entrega de seis anos de registros financeiros e comunicações relacionadas a Vorcaro.
O pedido foi feito no âmbito do processo movido pela liquidante da Master nos EUA. A ação ocorre porque, ao ser liquidada uma instituição financeira, existe o risco de que pessoas envolvidas realizem manobras para blindar patrimônio — como imóveis ou jatinhos — de modo que esses ativos não sejam atingidos por credores. Por isso, o liquidante aciona a Justiça tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil para rastrear possíveis bens ocultos, investigando se recursos do banco foram utilizados para fins pessoais.
No início do ano, o juiz responsável pelo caso autorizou a emissão de 24 intimações judiciais solicitadas pelos advogados do liquidante. As ordens determinam que diversas empresas entreguem seis anos de registros financeiros e possíveis comunicações de Vorcaro e de outras 15 pessoas que tiveram bens bloqueados por autoridades brasileiras.
As intimações abrangem não apenas contas bancárias, mas também galerias de arte e lojas de artigos de luxo, como Christie's, Gagosian e Sotheby's. O juiz Scott Grossman autorizou o processamento de 24 das 28 intimações requeridas pelo liquidante. Entre os bens sob investigação estão mansões na Flórida e em Aspen, cinco aviões e quatro obras de arte — incluindo pinturas de Pablo Picasso e Jean-Michel Basquiat. Quando as empresas responderem, será possível identificar se os bens pertencem ou não a Vorcaro.
O juiz considerou que as leis brasileiras que determinam o bloqueio de bens de controladoras de instituições financeiras justificam a busca desses documentos pela liquidante, através da identificação de ativos ligados às dívidas do banco.
A defesa de Vorcaro argumentou que o tribunal americano não poderia autorizar uma investigação contra o banqueiro em pessoa física, sustentando que ele não é o devedor principal no processo de falência. Segundo os advogados, o liquidante não apresentou provas de conduta ilícita por parte de Vorcaro.
Os representantes do banqueiro alegaram ainda que, caso galerias de arte, bancos e marcas de luxo forneçam o histórico de compras e finanças, esses dados poderão ser compartilhados com o liquidante e usados em processos no Brasil. Por isso, solicitaram a suspensão imediata da coleta de dados até que uma instância superior decida sobre a validade das intimações.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro informou que não se manifestará sobre o caso.
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