Poder e Governo

Sócio de 'empresas de prateleira' usadas por Vorcaro é médico e cunhado de advogado preso pela PF

Suaki é citado como cunhado de operador jurídico-financeiro do esquema investigado

Agência O Globo - 22/04/2026
Sócio de 'empresas de prateleira' usadas por Vorcaro é médico e cunhado de advogado preso pela PF
Vorcaro - Foto: Reprodução

Formado pela Universidade de Santo Amaro (Unisa) em 1999 e registrado em ortopedia e traumatologia pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), o médico Hamilton Edward Suaki, de 56 anos, aparece nas investigações da Polícia Federal como um dos nomes ligados à estrutura financeira utilizada no esquema envolvido no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Apesar de sua trajetória na área médica, Suaki passou a figurar como sócio de empresas mencionadas no inquérito. Ele é apontado como o diretor escolhido para a suposta administração das empresas utilizadas para aquisição de imóveis, tendo um papel formal, mas considerado relevante na estrutura investigada.

Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quarta fase da Operação Compliance Zero, "tais pessoas jurídicas, originalmente proprietárias de fornecedores conhecidos de sociedades de prateleira, tiveram razão social, objeto, sede, diretor e capital social alterados em curto espaço de tempo, passando a funcionar como veículos específicos para recepção de recursos oriundos de fundos vinculados à REAG e posterior aquisição de imóveis".

Registros públicos mostram que Suaki manteve endereço profissional em uma clínica de ortopedia esportiva na região da Água Branca, zona oeste de São Paulo. A defesa do médico não foi localizada. Procurado, ele não se manifestou.

Hamilton Suaki é cunhado do advogado Daniel Monteiro, preso na nova fase do Compliance Zero. Considerado pela Polícia Federal como homem de confiança de Vorcaro, Monteiro é apontado como operador jurídico-financeiro do esquema e responsável por administrar fundos e contas usadas para desvio de recursos e pagamento de propina. Investigadores o descrevem como o "arquiteto jurídico" do ex-banqueiro e elo com outros advogados.

No caso de Suaki, as apurações indicam que ele aparece como diretor ou sócio de pelo menos 18 empresas usadas como instrumentos de ocultação patrimonial. Dentre elas estão seis companhias de prateleira, abertas com capital social de R$ 500 e posteriormente infladas para valores que chegam a R$ 41 milhões. Ele é apontado como responsável por assumir estruturas formais societárias utilizadas, segundo a PF, para dar aparência regular a operações financeiras sob suspeita.

De acordo com a investigação, essas empresas foram registradas em um mesmo endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, criadas em sequência, entre julho e outubro de 2024. Registros da Receita Federal indicam que, em curto espaço de tempo, elas passaram por alterações sucessivas de razão social, objeto, sede e quadro diretivo, passando a operar como veículos para obtenção de recursos de fundos vinculados à Reag e para aquisição de imóveis de alto padrão.

Seis desses imóveis, segundo a Polícia Federal, foram oferecidos como propina, no valor estimado de R$ 146,5 milhões, ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também preso na última quarta-feira após a operação. O advogado Cléber Lopes, um dos representantes de Costa, afirmou na semana passada que considera a prisão de seu cliente “absolutamente desnecessária”.

— Se eu estou considerando que é um exagero (a prisão), eu permaneço como estava antes. Continuação concluída. A continua defesa firme na verdade de que Paulo Henrique Costa não praticou crime algum — declarou.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a padronização nos cadastros: parte das empresas compartilha os mesmos números de telefone. Procurada, a recepção do edifício onde eles estariam registrados informou que nenhuma dessas companhias funciona ou já trabalhou no local.