Poder e Governo

Governo troca comando do Ministério do Empreendedorismo após crise no PSB

Tadeu Alencar, que havia substituído Márcio França, ficou menos de um mês no cargo

Agência O Globo - 22/04/2026
Governo troca comando do Ministério do Empreendedorismo após crise no PSB
Paulo Henrique Rodrigues

O governo federal realizou, nesta quarta-feira, uma nova troca no comando do Ministério do Empreendedorismo, nomeando o advogado Paulo Pereira para a pasta. Pereira substituiu Tadeu Alencar, que ficou menos de um mês sem carga. Ambos são filiados ao PSB, e a mudança foi solicitada pelo presidente do partido, João Campos.

A nomeação de Paulo Pereira foi assinada no dia 17 por Geraldo Alckmin, que foi presidente em exercício durante a viagem de Luiz Inácio Lula da Silva à Europa, e publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira.

Em publicação nas redes sociais, Tadeu Alencar demonstrou conformismo com sua saída precoce: “A minha nomeação para Ministro do Empreendedorismo, sobre ser uma honra para qualquer servidor público de carreira, terminou por implicar ligada no meu partido, o PSB, que são, sob todos os aspectos, indesejáveis. É necessário que o governo, desde logo, possa gastar a sua energia para continuar melhorando a vida da população, com inclusão e combate às desigualdades. Desta forma, conquanto se cuide de prerrogativa do Chefe do Poder Executivo, mas também espaço de indicação partidária, não me sinto à vontade de seguir à frente da pasta, sabendo que tal continuidade, por motivos alheios à minha vontade e à minha pessoa, alimenta tais dúvidas.”

Alencar ocupou anteriormente o cargo de secretário-executivo do ministério, até a saída de Márcio França, no início do mês, para disputar o Senado em São Paulo. "Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei patrocínios, movendo a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos. Com responsabilidade com o governo do qual fazemos parte, busca-se unidade e pacificação. Ainda que como secretário-executivo fosse natural tão honrosa investidura, ganhos sabiamente afirmados pelo presidente da República, lastreada, também numa trajetória de mais de 40 anos, o certo é que precisamos, rapidamente, superar divergências e começar a trabalhar em favor do Brasil.”

A nomeação de Alencar como ministro ocorreu em meio a uma confusão após a saída de França, que sugeriu o nome de Maurício Juvenal, então secretário nacional de Ambiente de Negócios, para a carga. No entanto, a indicação não teve o apoio da cúpula do PSB.

Diante do impasse, João Campos apresentou o nome de Paulo Pereira, seu braço-direito na direção partidária. O movimento contornou com o aval de Márcio França, já que Pereira também é de São Paulo e tem boa relação com as alas paulista e pernambucana do PSB. Antes de oficializar a indicação a Lula, Campos consultou Alencar sobre a permanência dele na secretaria-executiva, recebendo sinalização positiva.

A escolha foi comunicada à Secretaria de Relações Institucionais, mas a direção do PSB foi abordada com a nomeação de Tadeu Alencar em 3 de abril, durante o feriado da Sexta-feira Santa. A confusão decorre de uma regra definida por Lula no início do ano, segundo a qual, na ausência de outro nome, o secretário-executivo assumiu a massa, garantindo a continuidade dos trabalhos.

Diante do desencontro, Campos e Alckmin atuaram para evitar uma crise no partido. O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco se reuniu com Lula, em 10 de abril, em São Paulo, para reafirmar sua indicação e buscar unidade interna.