Poder e Governo
Saiba quem é Tatiana Alves Torres, delegada da PF escolhida para atuar no ICE após crise envolvendo prisão de Ramagem
Nomeação ocorre dias depois de governo dos EUA apontar ‘manipulação no sistema de imigração’ e pedir saída de servidor brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho
A Polícia Federal escolheu a delegada Tatiana Alves Torres para assumir o posto de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Miami, em meio à repercussão diplomática provocada pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. A nomeação foi formalizada por portaria assinada pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e , que já foi solto.
Saiba mais:
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Tatiana substituirá o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que ocupava o cargo quando Ramagem foi detido pelas autoridades migratórias americanas, na Flórida. O episódio desencadeou atritos entre os dois países. O governo dos Estados Unidos chegou a afirmar que acordou uma tentativa de “manipular o sistema de imigração” e solicitou que um servidor brasileiro deixasse o país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu, afirmando que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade caso sejam confirmados abusos.
Delegada da Polícia Federal desde 2002, Tatiana Alves Torres integra a classe especial da carreira e exerce atualmente a função de coordenadora-geral de Gestão de Processos da corporação. Ao longo de mais de duas décadas, minha trajetória com atuação em investigações de crimes ambientais, financeiros e contra o crime organizado, além da experiência recente na área de migração, tema diretamente ligado à função que assumirá nos Estados Unidos.
Formada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pós-graduação em Ciências Penais e Segurança Pública, a delegada também acumula formação internacional. Em 2022, participou de curso na National Defense University, em Washington, e, em 2008, concluiu o Programa de Treinamento Policial da Interpol, em Lyon. Ao longo da carreira, fez ainda cursos voltados ao combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Brasil e no exterior.
Tatiana foi superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais em 2023 e possui experiência consolidada nas áreas de Direito Penal, Processual Penal, Ambiental e Financeiro. Fluente em inglês e francês, também tem conhecimento intermediário de espanhol, habilidade relevante para a atuação em cooperação internacional.
A função que ela passa a ocupar é estratégica: cabe ao oficial de ligação da PF no ICE colaborar com autoridades americanas em ações como identificação e localização de foragidos da Justiça brasileira no território dos Estados Unidos.
O contexto da nomeação, porém, é sensível. Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso por agentes migratórios após ter o visto vencido. À época, a Polícia Federal afirmou que a detenção ocorreu no âmbito da cooperação internacional entre os dois países. O ex-deputado, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista, é considerado foragido no Brasil.
Após dois dias detido, Ramagem foi solta por decisão administrativa das autoridades americanas, que informaram que ele poderá permanecer provisoriamente no país.
Relembre o caso
Uma semana após a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump afirmou nesta segunda-feira ter identificado uma tentativa de “manipular o sistema de imigração do país” e . Em postagem nas redes sociais, a conta do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado, informou que esse servidor deverá deixar o país.
A autoridade seria seria o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). A PF, contudo, informou não ter sido comunicada.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país para tentar fazer isso", diz a postagem, que não menciona o caso de Ramagem.
Carvalho atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde 2023 e atuava na cooperação internacional na área de segurança. Ele atuou junto ao Departamento de Segurança Interna dos EUA, e tratou de temas como imigração e combate ao terrorismo. A permanência inicial do delegado em Miami foi de dois anos. No entanto, em março de 2025, a missão foi prorrogada até agosto de 2026.
Carvalho tem 20 anos de carreira como delegado da PF, sendo superintendente da Polícia Federal na Paraíba, delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo e chefe da Delegacia do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Ramagem foi detida pelas autoridades migratórias americanas após o visto vencido. Na semana passada, a Polícia Federal afirmou que a prisão de Ramagem foi fruto da colaboração com as autoridades americanas. Ele foi solto dois dias depois.
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