Poder e Governo

Escolha de suplente ao Senado 'envolvido em escândalos' gera atrito no PT do Rio

Processo expôs divisões internas em disputa por indicação de suplentes

Agência O Globo - 20/04/2026
Escolha de suplente ao Senado 'envolvido em escândalos' gera atrito no PT do Rio
Escolha de suplente ao Senado 'envolvido em escândalos' gera atrito no PT do Rio - Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

O diretório do PT no Rio de Janeiro confirmou neste domingo (19) o apoio às candidaturas de Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual e de Benedita da Silva (PT) ao Senado. Embora essas escolhas tenham sido unânimes, o processo de definição dos suplentes de Benedita evidenciou fissuras dentro do partido. O grupo do atual prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), acusou outras correntes petistas de tentarem indicar um nome “envolvido em escândalos” para a suplência.

Disputa por suplentes

O grupo de Quaquá, majoritário no PT do Rio, inicialmente resistia à candidatura de Benedita ao Senado, mas acabou cedendo à deputada federal, que tem apoio de nomes como Lindbergh Farias e André Ceciliano. Apesar disso, aliados de Quaquá conseguiram garantir a indicação dos suplentes: o vereador Felipe Pires, líder do PT na Câmara Municipal do Rio, foi escolhido como primeiro suplente, enquanto o pastor e cantor Kleber Lucas ficou com a segunda suplência.

Em nota divulgada no domingo, Quaquá afirmou ter sido surpreendido “com a exigência de inclusão, como primeiro suplente, de um assessor, ex-presidente da Casa da Moeda, envolvido em escândalos”. O prefeito de Maricá se referia a Manoel Severino, preferido por interlocutores de Benedita, mas que acabou derrotado na votação interna do diretório petista.

“Não concordamos com essa indicação e, em reunião do diretório, aprovamos os dois nomes apresentados pelo nosso campo”, declarou Quaquá. “Temos a responsabilidade de unir o partido e preservar o presidente Lula, para que nossa chapa majoritária não seja obrigada a se explicar sobre escândalos”.

Convergência na eleição direta

Apesar do impasse em torno da suplência ao Senado, o PT convergiu na aliança com Paes e também no apoio a uma eleição suplementar direta para escolher o substituto do ex-governador Cláudio Castro (PL) para um mandato-tampão até o fim deste ano.

Segundo o partido, a eleição direta é “a alternativa mais adequada”, pois “assegura a participação popular e o pleno respeito aos princípios democráticos”. “Somente o povo pode definir o melhor rumo para o Estado do Rio de Janeiro”, destacou o PT do Rio em nota publicada nas redes sociais.

Essa proposta já vinha sendo defendida por Paes. A alternativa seria uma eleição indireta, restrita aos deputados estaduais da Assembleia Legislativa (Alerj), onde o grupo de Paes é minoria. A decisão sobre o modelo de escolha caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última sexta-feira, a Alerj elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente. Ruas já foi indicado pelo PL como candidato ao governo na eleição de outubro, quando enfrentará Paes. Aliados do ex-prefeito buscam evitar que Ruas assuma o governo antes do pleito, o que poderia lhe dar vantagem competitiva.