Poder e Governo
PT se reúne para incorporar 'reforma do Judiciário' a programa partidário
Documento prevê, entre outras medidas, a elaboração de normas de conduta para cortes superiores
Em meio à tentativa de governistas e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de se afastar da crise do Supremo Tribunal Federal (STF), notável pelo avanço das investigações do caso Master, o PT deve incorporar ao seu programa partidário diretrizes que orientam uma reforma para o Poder Judiciário. O tema é detalhado na minuta do novo projeto político da sigla que será apresentado durante a semana no 8º Congresso Nacional da legenda.
O documento prevê, entre outras medidas, a elaboração de normas de conduta para cortes superiores e faz citação expressa ao STF.
Um dos itens é "instituir e aperfeiçoar códigos de ética e conduta no âmbito das cortes superiores, inclusive no Supremo Tribunal Federal, garantindo padrões claros de integridade, transparência e responsabilidade institucional".
Também há a defesa do fortalecimento de "mecanismos internos de autocorreção e responsabilização no Judiciário, preservando sua autonomia, mas garantindo controle republicano e confiança pública".
O posicionamento será desenvolvido após membros do governo e do partido discutirem o alcance do tema no período eleitoral. Há o temor de que a oposição possa explorar o comportamento de dois ministros para destruir a campanha de reeleição de Lula.
Dias Toffoli, por exemplo, indicado à Corte pelo petista, é dono de uma empresa que vendeu a participação de um resort no Paraná a um fundo ligado a Daniel Vorcaro.
Já Alexandre de Moraes, elogiado neste terceiro mandato pelo petista por ter liderado o processo da trama golpista, vem sendo questionado pelo negócio de sua mulher. O escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu pelo menos R$ 80 milhões do banco para prestar serviços de advocatícios e de compliance.
“O fortalecimento dos órgãos de controle deve caminhar junto com a democratização e a reforma do Poder Judiciário, garantindo maior transparência, responsabilidade institucional e compromisso com a Constituição”, destaca o documento do PT.
Segundo o texto, a experiência recente do país demonstrou que “o uso político do sistema de justiça fragiliza a democracia, compromete a consolidação das instituições e pode ser tão nocivo quanto às práticas que pretendem combater”.
O novo programa foi elaborado por uma comissão coordenada por José Dirceu e tem como objetivo traçar uma estratégia para a militância. O projeto faz uma defesa enfática da necessidade de aprofundar o fortalecimento da democracia.
O texto afirma ainda que o governo enfrentou um contexto complexo com instituições fragilizadas, juros elevados e expansão do crime organizado.
O PT reafirma no documento o compromisso com o Estado indutor do crescimento, destacando o uso dos bancos públicos na ampliação do crédito produtivo e da mesma forma a atuação das estatais para alavancar o desenvolvimento, a indústria e a soberania energética.
O PT cita ainda o cenário externo adverso e os efeitos das guerras para o Brasil, afirmando que o país deve "articular sua política externa a uma estratégia de desenvolvimento que fortaleça sua autonomia nos setores de óleo e gás, na indústria química e petroquímica", além de diversificar a matriz energética.
“O PT reafirma a sua posição histórica em defesa da paz, do multilateralismo e da primazia da negociação política, dos organismos e das leis internacionais como únicos caminhos legítimos para a resolução de conflitos”, diz o programa.
O texto também faz citações aos críticos de minerais e defende que o país adote o sistema de partilha, como fez com o petróleo na exploração de terras raras e urânio.
Afirma ainda que as Forças Armadas devem cumprir a sua missão constitucional de defesa da soberania, sem interferência na vida política "com plena subordinação ao poder civil democrático."
Outro tema abordado é segurança pública. Fazem parte dessa agenda revisão da Lei Antifacções e da Lei do Perdimento de Bens; aprovação PEC da Segurança Pública; reforma do sistema penitenciário e das polícias civis e militares e criação do Ministério da Segurança Pública, além do Sistema Único de Segurança Pública.
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