Poder e Governo

Após período de tensão, gestos de reaproximação marcam relação entre Alcolumbre e Lula

Presidente da República e presidente do Senado voltam a participar juntos de eventos públicos, enquanto pautas prioritárias avançam na Casa Legislativa

Agência O Globo - 18/04/2026
Após período de tensão, gestos de reaproximação marcam relação entre Alcolumbre e Lula
Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deram sinais claros de reaproximação política após meses de tensão entre o Palácio do Planalto e o Senado. O novo clima ficou evidente não apenas pela retomada do diálogo e pela participação conjunta em eventos públicos, mas também pelo avanço de pautas consideradas prioritárias para o governo no Senado.

Entre os principais impasses recentes esteve a disputa pela indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina de Messias está marcada para o próximo dia 28. Agora, os articuladores do governo tentam organizar um jantar entre Lula, Alcolumbre e outros senadores antes da votação, em busca de maior alinhamento.

Outro gesto que sinalizou o novo momento foi a aprovação, de forma célere, do nome do deputado Odair Cunha (PT-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU). A votação ocorreu no Senado apenas um dia após a chancela da Câmara, reforçando o ambiente de cooperação.

A parceria renovada entre Lula e Alcolumbre também tem motivações eleitorais. Embora Alcolumbre esteja na metade de seu mandato, ele se empenha na reeleição do aliado Clécio Luís (União) ao governo do Amapá, contando com o apoio do governo federal. O líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), também deve integrar a chapa do grupo de Alcolumbre.

Em sinal de alinhamento, Alcolumbre esteve, em 23 de março, ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE), então ministro da Educação, na inauguração de um equipamento da Universidade Federal do Amapá. O principal marco da distensão, porém, ocorreu na última terça-feira, quando Alcolumbre comparou à posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Na ocasião, destacou a importância do diálogo entre Congresso e governo:

— E isso, meu querido presidente Lula, reforce a possibilidade de termos a consciência de que só através do diálogo, da boa política e da construção, nós podemos mudar a vida das pessoas. Não precisamos concordar com todas as opiniões, sejam partidárias ou ideológicas, mas o Parlamento fez a construção do que era possível e do que é prioridade para o Brasil — afirmou Alcolumbre.

Ausência em lass

O comportamento atual representa uma mudança significativa. Alcolumbre não esteve presente na sanção da lei que ampliou a autorizada do Imposto de Renda, em novembro do ano passado, nem na apresentação do novo ECA Digital, em março, que contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A aproximação foi construída gradualmente. Lula e Alcolumbre chegaram à se reunir em dezembro, em meio ao desgaste causado pela indicação de Messias. No fim do mês passado, ambos voltaram a conversar, ocasião em que Lula informou oficialmente a indicação de Messias ao STF.

A escolha para o STF desagradou Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), também ex-presidente do Senado. Alcolumbre chegou a sinalizar que colocaria a indicação de Messias na votação logo após o anúncio, em novembro, o que poderia resultar em derrota para o governo.

Em mais um sinal de realinhamento, Alcolumbre e o governo atuaram juntos para esvaziar a CPI do INSS, no Congresso, e a CPI do Crime Organizado, no Senado. Enquanto a investigação sobre fraudes em aposentadorias envolvia Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, a outra CPI tinha como foco ministros do STF.