Poder e Governo
Cármen Lúcia reconhece gravidade da crise de confiança no Judiciário
Ministra do STF admite erros e ressalta papel essencial do Poder Judiciário para a sociedade
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira que a crise de confiabilidade da população brasileira no Poder Judiciário, especialmente na Corte, é "grave" e precisa ser reconhecida pelos magistrados. Segundo ela, apesar de existirem "erros e equívocos" que demandam aperfeiçoamento, o Judiciário segue fundamental para garantir os direitos previstos na Constituição.
— Nós precisamos do Poder Judiciário. Ainda que seja, como tudo na experiência humana, limitado na imperfeição que é própria da humanidade. Cada vez precisa ser melhor, para que o Direito seja aplicado e o cidadão tenha mais confiança. A crise de confiabilidade no Poder Judiciário é séria, grave e precisa ser reconhecida — declarou Cármen Lúcia durante palestra na FGV Direito Rio, no Rio de Janeiro.
Ao reconhecer as ressalvas da sociedade em relação à Corte, a ministra também apontou que existe um "movimento internacional" — sem especificar qual — para deslegitimar o Judiciário brasileiro.
— Nós temos no Brasil o problema da confiabilidade, principalmente no Supremo, tenho ciência disso. É preciso também saber o que há de equívocos e erros que precisam, sim, ser aperfeiçoados. Mas há um movimento internacional, que a gente sabe, para que não tenhamos Poder Judiciário — afirmou.
Cármen Lúcia destacou ainda que o compromisso de aprimorar o Direito passa por incentivar jovens a não perderem o desejo de se tornarem juízes. Ela ressaltou as dificuldades da profissão, criticando a morosidade e o excesso de processos enfrentados pelos magistrados. Segundo a ministra, há cerca de 18 mil juízes para mais de 80 milhões de processos, cenário que considera inadequado.
Confiança no Supremo
De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, 75% dos brasileiros afirmam que os ministros do STF têm poder excessivo, enquanto 71% consideram a Corte essencial para a proteção da democracia. O levantamento também aponta que 75% acreditam que a confiança no STF diminuiu, enquanto 20% discordam dessa percepção.
No mês passado, o Datafolha revelou que o índice de brasileiros que não confiam no Supremo atingiu recorde de 43%. Já entre os que afirmam "confiar muito", o percentual caiu de 24% para 16%.
Esse crescimento da desconfiança é atribuído ao suposto envolvimento de ministros da Corte no escândalo do Banco Master. Ainda segundo a pesquisa, 55% da população acredita que os magistrados do STF têm participação nas fraudes.
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