Poder e Governo
Dividido, PL em Minas caminha para candidatura própria ao governo do estado, acredita ex-presidente da Fiemg
Impasse nas alianças e disputa interna por protagonismo expõem fragmentação do partido e abrem espaço até para palanques distintos em Minas
Em meio às indefinições nas articulações para as eleições deste ano, o PL de Minas Gerais caminha para um cenário de divisão interna com ambições de candidaturas próprias no partido ao governo do estado, enquanto o partido também negocia possíveis alianças e apoios a outros pré-candidatos ao Palácio Tiradentes. A leitura é reforçada por declarações de lideranças estaduais e nacionais do partido, que admitiram publicamente a dificuldade de convergência em torno de um único projeto no estado.
Lula:
Jogo Político:
O movimento mais evidente vem do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, recém-filiado ao PL, que passou a defender abertamente a construção de uma candidatura própria ao governo estadual. Em entrevista ao jornal O Tempo, ele afirmou que o cenário atual favorece esse caminho, ainda que as negociações sigam em curso.
— Eu coloco meu nome à disposição, mas de mim não depende. Eu quero contribuir com o processo. Se for possível, irei dar minha contribuição para o debate com o processo democrático. Depende dessa conjuntura nacional e eu acredito que o cenário ainda está em aberto, mas tende, nesse momento, para uma candidatura própria do PL — afirma.
Roscoe avalia que faltam avanços nas tratativas com outros grupos políticos, como os ligados ao governador Mateus Simões (PSD) e ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), tem empurrado o partido para uma solução interna.
— Hoje, como as tratativas não avançaram e tem alguns obstáculos que precisam ser transpostos, eu diria que o cenário no momento mais provável é esse, mas ele não é certo. Ele é mais provável agora. Qualquer mudança pode tornar o mais provável em menos provável. Mas acredito que o PL, optando por uma candidatura própria, efetivamente, todas as forças ali ligadas ao PL vão dar suporte a essa candidatura — destacada.
Nesse desenho, ele não descartou uma chapa “pura”, formada exclusivamente por quadros do PL, com apoio das principais lideranças do partido no estado, incluindo o deputado federal Nikolas Ferreira, apesar dos gestos recentes do parlamentar em direção ao governo estadual.
Possibilidade de dois palanques
Se no plano estadual a indefinição já é grande, no plano nacional o quadro adiciona uma camada extra de incerteza. Coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) permitiu a possibilidade de o partido ter mais de um palanque em Minas Gerais, explicitando a fragmentação local.
— Para nós, o mais importante é avaliarmos o que está ocorrendo lá, consultarmos os nossos líderes locais, o Domingos Sávio, o Nikolas, os demais deputados federais, os prefeitos mais importantes, para, ao tomarmos a decisão em Minas, fazermos a opção correta, adequada. O Matheus Simões (PSD), inclusive, é alguém que a gente está avaliando também, pode ser o nosso aliado. O Cleitinho (Republicanos) também já anunciou, inclusive, que votou no Flávio para presidente da República. Então, nós podemos ter um palanque, dois palanques. Nós não podemos errar. Vamos trabalhar com muito cuidado para tomar a decisão na hora certa, nos próximos 20 ou 30 dias. E essa decisão, para nós, sem dúvida, não vai repercutir no Brasil como um todo”, disse Marinho à rádio Itatiaia.
A declaração evidencia o dilema do PL: apoiar candidaturas competitivas fora da sigla no estado ou investir em um nome próprio, como Roscoe, mesmo com o risco de isolamento. Ao mesmo tempo, a legenda mantém portas abertas para diferentes arranjos, já que tanto Simões quanto Cleitinho são considerados potenciais aliados no plano nacional.
Marinho também destacou o papel de Roscoe como um quadro versátil dentro do partido, sem definição prévia de função.
— Recebemos a filiação de Flávio Roscoe, que, para nós, é um quadro a nível do Brasil, uma pessoa extremamente evoluída. O Flávio é alguém que pode se encaixar numa campanha majoritária, pode se encaixar num futuro governo, pode se encaixar na campanha regional, é alguém que se qualifica o partido. Ele não está entrando no partido com nenhum condicionamento. Ele está lá como alguém, um quadro importante, que pode ser eventualmente utilizado com a aquiescência dele evidentemente, numa disputa nacional ou local — afirmou.
O cenário ainda é mais complexo pela presença de outros atores relevantes na disputa presidencial e estadual, como Romeu Zema (Novo), e pelas movimentações de partidos como PSD e Republicanos, que orbitam o campo da direita e disputam espaço em Minas.
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