Poder e Governo
Governo articula jantar entre Lula, Alcolumbre e senadores para garantir apoio a Messias antes de sabatina
Feriado de Tiradentes esvazia Brasília, reduz corpo a corpo e leva governo a concentrar articulação em jantar estratégico antes da sabatina
A menos de duas semanas para a sabatina de Jorge Messias no Senado, aliados do governo articulam um jantar reunindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e parlamentares da Casa. O objetivo é intensificar a busca por votos para aprovar a indicação do atual advogado-geral da União ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A iniciativa ocorre diante do calendário apertado e das dificuldades para o corpo a corpo político. O feriado de Tiradentes, na próxima terça-feira, deve esvaziar Brasília ao longo da semana, resultando em apenas uma sessão, na quarta-feira, com formato semipresencial e baixa presença de senadores. A sabatina de Messias está marcada para o dia 28, também uma terça-feira, coincidindo com o retorno mais efetivo dos parlamentares à capital.
Nos bastidores, governistas avaliam que o ritmo das negociações tende a cair justamente no momento mais sensível da articulação, quando ainda há um número expressivo de indecisos. Levantamentos internos mostram que, embora o nome de Messias tenha avançado, muitos senadores evitam declarar voto publicamente, mantendo o cenário indefinido às vésperas da sabatina.
Nesse contexto, o jantar é visto como uma estratégia para concentrar esforços em um único momento, reunindo senadores indecisos em um ambiente propício ao diálogo direto com Lula e Alcolumbre. A data mais cogitada é a quarta-feira após o feriado, embora ainda não haja convite formal e existam dúvidas sobre a presença dos parlamentares em Brasília devido ao esvaziamento da semana.
A proposta do encontro já vinha sendo debatida no Palácio do Planalto. Segundo relatos, Lula pretendia realizar o jantar ainda nesta semana, mas Alcolumbre tinha compromisso prévio com ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A articulação foi discutida na terça-feira, durante a posse do novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Planalto, quando Lula e Alcolumbre alinharam estratégias.
O movimento ocorre após a intensificação da agenda de Messias no Senado. Na quarta-feira, o advogado-geral da União concentrou reuniões no gabinete do relator Weverton Rocha (PDT-MA) e ampliou o diálogo com parlamentares da base e da oposição. Ao longo do dia, esteve com senadores como Leila Barros (PDT-DF), Jaques Wagner (PT-BA), Romário (PSB-RJ) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO), além de visitar gabinetes de oposicionistas, como Carlos Portinho (PL-RJ), mantendo a estratégia de dialogar até mesmo com quem já declarou voto contrário.
Aliados afirmam que a ofensiva sobre votos considerados perdidos busca identificar margens de flexibilização, já que o voto secreto pode abrir espaço para dissidências. Interlocutores relatam que há senadores que evitam declarar apoio publicamente, mas sinalizam disposição para votar a favor na urna.
Ministros do STF em campo
Outro movimento observado é o de senadores favoráveis à indicação que têm antecipado apoio em conversas fora do Senado, inclusive com ministros do STF, como Cristiano Zanin, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Segundo relatos, esses contatos servem para comunicar voto favorável e reforçar a percepção de viabilidade da indicação.
Como os três ministros são vistos como fiadores de Messias, senadores — especialmente os indecisos — têm buscado aval junto a eles antes de definir posição.
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