Poder e Governo

Flávio Bolsonaro acusa Moraes de tentar influenciar eleições com inquéritos no STF

Senador afirma que ministro pode utilizar investigações sob sua relatoria para restringir a liberdade de expressão

Agência O Globo - 16/04/2026
Flávio Bolsonaro acusa Moraes de tentar influenciar eleições com inquéritos no STF
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução / Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou durante sessão plenária do Senado que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “vai querer desequilibrar” as eleições ao atuar na Corte. A declaração segue a retórica imposta pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), durante as eleições de 2022. Flávio ressaltou que Moraes não integra mais o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas destacou que inquéritos pendentes pelo ministro poderiam ser usados ​​para limitar sua liberdade de expressão.

Senadores articulam fato ao STF

Durante a sessão, Flávio pediu uma palavra ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para críticas complementares feitas por Alessandro Vieira (MDB-SE). O relatório da CPI do Crime Organizado, elaborado por Vieira, sugeria o indiciamento de três ministros do Supremo e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas foi rejeitado na comissão, gerando nova tensão entre o Congresso e o STF. Flávio Bolsonaro afirmou que "todos os Poderes deveriam refletir e evitar ataques excessivos mutuamente" e acusou Moraes de "commeter uma série de atrocidades", desrespeitar princípios democráticos e violar direitos de políticos de direita sob o pretexto de defender a democracia.

— Eu quero só fazer esse registro, Presidente, porque está muito claro qual é a estratégia. Já que agora Alexandre de Moraes não está mais no TSE, ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo com esse inquérito, aberto há sete anos, esse malfadado inquérito das fake news, que atrai tudo o que ele quiser e quem ele quiser. Isso vai ser recorrentemente usado durante as eleições deste ano para tentar me impedir de expressar o meu ponto de vista e falar a verdade sobre, inclusive, ele — declarou Flávio.

Como noticiou O GLOBO no mês passado, o inquérito das fake news completou sete anos de tramitação no STF, aguardando iniciativa do presidente do tribunal, Edson Fachin, para seu encerramento. A investigação tornou-se um dos principais instrumentos de ocorrência do Supremo a ataques, campanhas de desinformação e ameaças contra ministros e instituições, mas gerou controvérsias devido à ampliação do seu escopo ao longo do tempo.

Neste, Moraes determinou a abertura de inquérito policial para apurar suspeitas de calúnia do senador Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula (PT), apontado mês como principal adversário nas eleições de outubro. Em nota, Flávio classificou a apuração como uma tentativa de "cercear a liberdade de expressão". No Senado, afirmou ter recebido a notícia do pedido de inquérito "com surpresa, pela imprensa".

— (...) Depois de uma petição simples, coincidentemente distribuída para o Ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal, de uma postagem minha, numa rede social, em que eu falo: "Lula será delatado", por ocasião da prisão de Nicolás Maduro, seu grande amigo, de longa data. Ele tem muito orgulho, inclusive, de estar sempre publicamente próximo e de fazer gestos, inclusive financeiros, usando o dinheiro do brasileiro, em relação à Venezuela. Onde está a imunidade parlamentar? Onde está a liberdade de expressão? Uma petição simples de ser arquivada, porque não tem nenhuma base, nenhum fundamento. Não está tratando de ofender ninguém. Está tratando da opinião de um Senador da República.

Flávio Bolsonaro também defendeu que “há um desequilíbrio entre os Poderes” e que apenas o Senado Federal “tem condições de restabelecer a harmonia para que possamos sonhar em ter uma democracia plena mais uma vez”.

— Isso fica para reflexão, porque essa prática não dá mais para aceitar em outras eleições, agora, em 2026 — acrescentou.