Poder e Governo
Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF que mira escândalo do Banco Master
Executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema de fraude financeira; ele nega qualquer irregularidade
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso numa operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira. O executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master. Ele negou qualquer irregularidade.
Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandatos no Distrito Federal e em São Paulo.
Costa já havia sido afastado do comando do BRB por decisão judicial e acabou demitido em novembro pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após a primeira fase da operação Compliance Zero, que apura fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master.
A investigação da Polícia Federal que levou à prisão do ex-presidente do BRB aponta acusações de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central (BC).
De acordo com o inquérito, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master numa tentativa de dar uma sobrevida à instituição financeira de Daniel Vorcaro enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB propôs a compra do Master, mas o negócio foi vetado pelo BC.
Precisando de recursos enquanto o BC avaliava a operação, o Master negociou com o BRB a venda de carteiras de crédito (direitos sobre empréstimos) para captar recursos — e ganhar um lucro mais no mercado. No entanto, para as autoridades, essa transação foi uma forma de drible o Banco Central.
Em sua manifestação sobre o caso, o Ministério Público Federal afirmou que o Master “teria adquirido carteiras de crédito” de uma empresa dirigida por um ex-funcionário “sem realizar qualquer pagamento” e, logo em seguida, revendeu esses títulos ao BRB, recebendo pagamento imediato, “resultando na transferência, de janeiro a maio de 2025, de R$ 12,2 bilhões”.
Ao explicar essa operação ao BC, o Mestre informou em 25 de março deste ano que a carteira de crédito tinha como origem duas associações de servidores do estado da Bahia, que foram criadas por um diretor do banco privado.
Diante dessa suspeita, o Banco Central passou a fazer um pente-fino numa amostra de 30 supostos clientes tomadores de créditos das operações cedidas pelo Master ao BRB em janeiro de 2025. A instituição constatou que não foi possível estabelecer qualquer correspondência das transações com o fluxo financeiro, o que “corrobora os negócios de insubsistência”. O termo significa inconsistência ou falta de fundamento que comprove a existência de algo.
A partir disso, o BRB apresentou ao BC uma nova amostra com informações de 100 contratos de créditos adquiridos da Master. Ao analisar os documentos, a autoridade monetária reforçou que havia “indícios de insubsistência, que sinalizam a existência de engenharia possível contável e financeira para viabilizar a captação de recursos”.
'Empresa de prateleira'
Após o questionamento do BC, a titularidade desses títulos passou a ser atribuída à Tirreno, criada no final de 2024 por uma pessoa que registrou outras firmas semelhantes. Segundo o pesquisador, esse é um compromisso de que se tratasse de uma "empresa de prateleira" para viabilizar a operação de socorro ao Mestre.
Tão logo foi lançado no mercado, a Tirreno ampliou seu capital para R$ 30 milhões, passou a ter como diretor um ex-funcionário do Master e realizou mudanças societárias — que, de acordo com a PF, foram formalizadas somente após o início da operação financeira envolvida o BRB.
O Ministério Público Federal destaca que o contrato inicial de parceria entre Master e Tirreno e um dos instrumentos de cessão de crédito “sequer estão autenticados em cartório”, enquanto os demais documentos da operação foram registrados formalmente apenas alguns meses depois da transação.
“Mostra-se atípico e desarrazoado que somente após uma provocação do Banco Central sobre as informações, o BRB passou a exigir documentos adicionais, situação bastante suspeita para quem realizaria operação neste montante (R$ 12,2 bilhões) e que deveria se cercar de cuidados objetivos e mínimos para a realização deste tipo de transação”, afirma o pesquisador.
Mudança de rumor
Para corrigir as falhas apontadas pelo Banco Central, o BRB decidiu interromper diretamente a operação com Tirreno, responsável pela emissão dos títulos que eram repassados pelo Master. A instituição financeira do governo do Distrito Federal optou por substituir as carteiras compradas por outros ativos de Daniel Vorcaro.
A finalidade foi reduzir o saldo da operação, que somou R$ 12,2 bilhões. Contudo, de acordo com o inquérito, essa entrega extrapolou o limite legal de exposição a um único cliente, estimado em R$ 1,1 bilhão.
De acordo com a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões. Essas transações ocorreram mesmo “diante de ressalvas formuladas pelo Banco Central”.
Em nota divulgada à , o BRB disse que “reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a integridade na condução de suas atividades”.
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