Poder e Governo
Na véspera de eleição para presidente da Alerj, PL cogita manter interino enquanto grupo de Paes mira traições
Sigla de Douglas Ruas modula estratégia em meio à possibilidade de que desembargador siga como governador; PSD pede voto secreto
Com os dados definidos para a realização da eleição que escolherá o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), as movimentações em torno de possíveis postulações ganharam força na quarta-feira. Pelo lado do PL, que detém a maior bancada da Casa, o nome mais forte é o deputado Douglas Ruas, pré-candidato ao governo estadual, mas ganha força no partido a possibilidade de manter no posto o atual interino, Guilherme Delaroli, que substituiu após o afastamento e posterior cassação de Rodrigo Bacellar. Já aliados do ex-prefeito (PSD) têm como principal apóstata Vitor Junior (PDT) e, em paralelo, miram eventuais traições no grupo rival para tentar contornar um cenário desfavorável.
Entenda:
Eleições:
De acordo com parlamentares ouvidos reservadamente, o impasse entre governistas está diretamente ligado às dúvidas sobre os desdobramentos jurídicos da eleição. Há receio de que o futuro presidente da Alerj não possa assumir o governo do Rio pela linha sucessória, diante da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que mantém o desembargador Ricardo Couto no comando do Executivo fluminense enquanto a apreciação do caso não é concluída pela Corte.
Neste cenário, sem ter acesso à máquina estadual, a cadeira se tornaria menos atrativa para Ruas. Reunida na quarta-feira, a bancada do PL não fechou a questão sobre o assunto, e uma posição definitiva deve ser tomada nesta quinta-feira.
A política próxima a Paes também chegou a sondar Delaroli para uma eventual costura, acenando com a possibilidade de não apoiar um nome de oposição caso ele fosse escolhido para permanecer no comando da Alerj. A estratégia, porém, foi rechaçada por caciques do PL, que descartaram qualquer composição que envolvesse diretamente os adversários.
A tática utilizada pelos aliados do ex-prefeito foi um indicativo de que seu núcleo busca se aproximar dos parlamentares do partido de Ruas. Segundo membros da Assembleia, o PSD também mira o apoio de siglas como PP e Republicanos, até então tidas como mais alinhadas ao PL.
Após a janela partidária, o PL passou por 23 deputados. Somando este número às bancadas de União Brasil e PP, partidos que já anunciaram apoio a Ruas na eleição ao governo em outubro, a aliança ultrapassa a barreira de 36 votos necessários para eleger um presidente da Casa. Por isso, em caso de votação aberta, a avaliação de lideranças é de uma vitória garantida do deputado do PL.
O PDT, no entanto, pediu à Justiça para que a votação seja secreta. A ação, assinada pelo próprio Vitor Junior e pela também deputada Martha Rocha, será comprovada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães. Ela é vice-presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, atual governador em exercício.
Mudança de posição
Na semana passada, o PSD chegou a se manifestar contra o voto secreto na Alerj em outras hipóteses, a de uma eleição indireta ao governo estadual. Na ocasião, a avaliação interna era de que Paes não teria maioria mesmo numa eleição secreta. Nos últimos dias, porém, aliados do ex-prefeito azeitaram a articulação para ampliar sua aliança, hoje com 22 votos em teses garantidas na Casa, o que renovou a procura por traições no grupo rival.
Ainda assim, o entorno de Ruas disponível que o voto secreto também pode ajudá-lo a fazer o movimento inverso, conquistando apoios inclusive no partido de Paes. Na eleição anterior à presidência da Alerj, em março, anulada em seguida pela Justiça do Rio, parte dos parlamentares do PSD votou em Ruas.
— Paes fez uma série de movimentos tentando passar por cima da Assembleia, e isso acabou unindo os deputados contra essa entrega — opina o presidente estadual do PL, deputado Altineu Côrtes.
Por ora, Rosenberg Reis (MDB) e Renata Souza (PSOL) também se posicionaram como possíveis postulantes à cadeira principal da Casa. O grupo de Paes, entretanto, tem o objetivo de desmobilizar a candidatura psolista, atraindo os cinco votos da legenda, e também se articula junto com as siglas nanicas, como Solidariedade e Avante, que chegaram a formar um bloco de cinco deputados no início do ano.
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