Poder e Governo

Convite para Ciro disputar o Planalto anima PSDB nacional, mas gera contrariedade no Ceará, onde ele lidera pesquisas

Mudança na costura política da oposição comprometeria acordos selados em torno do ex-ministro como cabeça de chapa ao governo estadual

Agência O Globo - 16/04/2026
Convite para Ciro disputar o Planalto anima PSDB nacional, mas gera contrariedade no Ceará, onde ele lidera pesquisas
Ciro Gomes - Foto: Reprodução Redes Sociais

O convite do PSDB ao ex-ministro Ciro Gomes para disputar a Presidência da República nas próximas eleições animou a cúpula nacional do partido, mas surpreendeu e gerou desconforto entre dirigentes tucanos no Ceará. A possibilidade de Ciro concorrer ao Planalto coloca em risco os acordos costurados pela legenda no estado, onde ele é apontado como principal nome para a disputa pelo governo estadual. Aliados do ex-governador, no entanto, demonstram confiança de que ele permanecerá como candidato ao Executivo cearense.

O convite foi feito publicamente pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, durante reunião nacional do partido realizada na Câmara dos Deputados, na última segunda-feira. A proposta surgiu na véspera do encontro. Já na quarta-feira, Ciro declarou estar "cada dia mais inclinado" a disputar o governo do Ceará, mas considerou "honrosa" a iniciativa do partido em convidá-lo para a corrida presidencial.

Segundo aliados de Ciro, o foco do ex-ministro segue sendo a eleição estadual, embora admitam que "ainda há muito a acontecer até julho", prazo final para definição das candidaturas. Antes do convite para a disputa presidencial, a expectativa era de que Ciro oficializasse sua chapa ao governo do Ceará até a primeira semana de maio.

Impacto estadual

Se Ciro desistir da disputa pelo governo estadual, o ex-prefeito de Fortaleza e atual cotado para vice, Roberto Cláudio (União Brasil), é visto como provável cabeça de chapa. Outra possibilidade cogitada é a do ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), atualmente pré-candidato ao Senado, assumir a vaga de candidato ao governo.

Capitão Wagner lidera a federação União-Progressistas no Ceará, uma das principais frentes de oposição ao governo do petista Elmano de Freitas (PT). Ciro também articula o apoio do PL à sua candidatura ao governo, com o deputado estadual Alcides Fernandes sendo cotado para compor a chapa ao Senado. Para aliados do ex-ministro, uma eventual candidatura de Ciro ao Planalto dificultaria a consolidação de acordos entre as duas siglas.

Candidato à Presidência em quatro eleições, Ciro afirma que a decisão sobre qual cargo disputar ainda precisa ser amadurecida, especialmente em diálogo com sua base política no Ceará. Integrantes do PSDB nacional reconhecem que o ex-ministro vive uma "situação cômoda" no estado, já que lidera as pesquisas de intenção de voto, mas enfrenta um dilema diante do novo cenário.

— Ciro conhece bem as demandas do país e pode ser um nome importante na eleição contra a polarização. O convite gerou entusiasmo no partido. Ao mesmo tempo em que tem uma situação favorável no Ceará, essa oportunidade pode levá-lo a realizar o sonho de ser presidente — afirmou Marconi Perillo, ex-presidente do PSDB.

A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no mês passado, mostra o petista Elmano de Freitas, que busca a reeleição, com 32% das intenções de voto.

'Muito constrangimento'

A candidatura de Ciro à Presidência também foi defendida pelo irmão, o senador Cid Gomes (PSB). A declaração ocorre em meio ao racha na família Ferreira Gomes, que pode colocar os irmãos em lados opostos na eleição do Ceará.

Enquanto Cid é aliado de Elmano e articula a presença do PSB na chapa majoritária petista, Ciro se destaca como principal nome da oposição ao governo estadual. O senador afirmou que apoiaria o irmão caso ele concorra à Presidência, e que só apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "se não houver outra alternativa".