Poder e Governo
Messias busca apoio na oposição após PL e Novo declararem voto contrário
Advogado-geral da União intensifica articulações no Senado, aposta no voto secreto e conta com auxílio de Mendonça, bem avaliado entre bolsonaristas
O advogado-geral da União, Jorge Messias, intensificou as articulações junto à oposição no Senado após o PL e Novo anunciarem que votarão contra sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quarta-feira, Messias se reúne com o líder do PL na Casa, o senador Carlos Portinho (RJ), que já manifestou voto contrário ao nome indicado.
Este será o primeiro encontro entre Messias e Portinho desde uma indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro do ano passado. A reunião ocorre mesmo diante da orientação formal das bancadas contrárias.
— Receba todos, mesmo os que não disseram. É da liturgia do cargo — afirmou Portinho ao jornal O Globo.
Em nota conjunta, PL e Novo alegaram que o país vive um momento de “instabilidade institucional” e que não considerou adequadas a nomeação de novos ministros para o Supremo. O comunicado também aponta um “distanciamento crescente” entre o STF, o Legislativo e a sociedade como motivo para o encerramento da questão.
Apesar da resistência, Messias busca ampliar o diálogo e reduzir a exclusão. Nos últimos meses, mensagens invejosas a senadores em datas como Natal e Páscoa, gesto interpretado como tentativa de aproximação pessoal, avaliado positivamente por parte dos parlamentares.
A estratégia também conta com o apoio de interlocutores com trânsito na oposição. O ministro do STF André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro e respeitado entre senadores bolsonaristas, atua nos bastidores para ajudar a superar resistências. Em público, Mendonça chegou a elogiar Messias e demonstrar apoio:
— Faço votos de que em breve você possa deixar a AGU por um bom motivo, de estar comigo ali no Supremo Tribunal Federal — declarou o ministro no último dia 6.
Aliados avaliam que a atuação de Mendonça contribui para diminuir parte da resistência no campo conservador, ainda que não reverta a orientação formal dos partidos.
Messias também aposta no caráter secreto da votação em plenário. Interlocutores afirmam que há senadores que hoje declaram voto contrário, mas que podem apoiar o nome na urna, sem exposição pública. Sob reserva, um parlamentar ouvido pela Globo confirmou essa possibilidade.
O corpo a corpo, entretanto, causou desconforto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele se incomodou com a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), seu adversário político no estado. Antigos aliados, Alcolumbre e Barreto romperam em 2021, quando o presidente da Casa apoiou outro nome para a vice-presidência do Senado.
A leitura do relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada nesta quarta-feira, marcou o início formal da tramitação da indicação. A sabatina foi antecipada para o dia 28 de abril, enquanto Messias intensifica o corpo a corpo para consolidar votos suficientes à aprovação.
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