Poder e Governo
Presidente da Alesp busca apoio de Eduardo Bolsonaro nos EUA para candidatura ao Senado
André do Prado (PL) disputa indicação com Mário Frias e Mello Araújo, com apoio de Valdemar Costa Neto
O deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), embarca para os Estados Unidos na próxima semana com o objetivo de dialogar com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e tentar garantir seu apoio para concorrer ao Senado. O Partido Liberal ainda não define quem será o candidato à segunda vaga na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), já que a primeira deve ficar com o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) e o vice, com o MDB.
Prado viajará para o Texas, onde reside Eduardo Bolsonaro, acompanhado de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL e seu principal aliado político. Dentro do partido, há um acordo para que Eduardo seja o responsável por indicar um dos nomes ao Senado. Antes de se mudar para os Estados Unidos, no ano passado, Eduardo foi cotado para disputar a vaga por São Paulo. A visita está prevista para a próxima segunda-feira (20).
Fontes do PL afirmam que Eduardo Bolsonaro prefere o deputado federal Mário Frias (PL-SP), enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro defende indicação do coronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo. Procurado, Mello disse não acreditar que será o escolhido. Frias, por meio da assessoria, não se manifestou.
“Acho muito difícil eu fui escolhido, o lobby é muito grande, a forma como trabalho não agrada a muitos”, declarou Mello ao jornal O GLOBO.
Além do apoio de Valdemar Costa Neto, André do Prado também busca o respaldo do governador Tarcísio de Freitas, que tem defendido um nome menos ideológico para o Senado, enfrentou adversários de centro-esquerda, como Simone Tebet (PSB), Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede), cotados para a disputa.
Tarcísio argumenta que Derrite já representa uma pauta ideológica ligada à segurança pública e ao bolsonarismo e que um candidato mais alinhado ao centro poderia evitar a fragmentação dos votos. Na Alesp, a bancada do PL apoia a candidatura de Prado, incluindo os parlamentares mais alinhados à direita. Para eles, a decisão final caberá a Eduardo e Jair Bolsonaro, sem resistência entre os deputados estaduais do partido.
Em conversa com O GLOBO, Prado afirmou que pretende destacar sua “grande capacidade de diálogo” como presidente da Alesp, ressaltando sua habilidade de transitar entre diferentes correntes políticas, o que considera um trunfo para a direita, especialmente caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente da República. Outro argumento será sua boa relação com o governador, que, segundo ele, pode contribuir para a reeleição de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes.
Nos últimos dias, a campanha em torno de Prado ganhou força e, entre aliados, ele já vem sendo chamado de “senador” em agendas públicas, como ocorreu durante a inauguração de um terminal de ônibus na Zona Sul de São Paulo.
A investida de André do Prado ocorre após ele tentar se viabilizar como vice na chapa de Tarcísio. Até janeiro, o deputado defendeu que o posto da cabia, seja pela liderança ao governador, seja pelo compromisso na aprovação de projetos importantes, como a privatização da Sabesp, além da força da bancada do PL na Assembleia, atualmente com 21 parlamentares. Apesar da articulação, Tarcísio optou por manter Felício Ramuth, recém-filiado ao MDB, na vice.
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