Poder e Governo
Nunes Marques é eleito presidente do TSE e comandará eleições de 2026
Ministro do STF assume Corte Eleitoral com discurso de despolarização e terá André Mendonça como vice
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi eleito nesta terça-feira presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e comandará a Corte durante as eleições de 2026. Sua escolha seguiu o critério de antiguidade, sucedendo Cármen Lúcia, que deixou o cargo antecipadamente.
Como de costume, a eleição foi simbólica e sem concorrência. O ministro André Mendonça foi eleito vice-presidente e deve assumir a presidência do TSE em 2027.
Ao anunciar o resultado, Cármen Lúcia destacou a responsabilidade da nova gestão e desejou êxito aos sucessores:
— Gostaria de cumprimentar os ministros, que tenham muita sorte, uma enorme responsabilidade que será cumprida como sempre. O ministro Kássio, que tem realizado um trabalho igualmente sério e responsável no STF, e André igualmente um ministro dedicado, que também vem desenvolvendo a sua condição de juiz com grande seriedade, fazendo com que todos nós tenhamos a certeza de que a Justiça Eleitoral vai desempenhar suas atividades como historicamente vem desempenhando nesses quase 100 anos — afirmou.
Em seu discurso de agradecimento, Nunes Marques ressaltou o caráter simbólico do cargo e ficará à frente do TSE até maio de 2027:
— Agradeço a confiança em mim depositada pelos meus pares. É uma das maiores honras da minha vida poder ser eleito para presidir o TSE — declarou.
Mendonça, por sua vez, reforçou o compromisso de apoio à gestão:
— Agradeço por esse voto de confiança que nos é depositado. Eu, como vice-presidente, enquanto aqui estiver, estarei auxiliando para que Vossa Excelência tenha uma gestão exitosa e que este ano o TSE tenha uma festa muito bonita para a democracia brasileira — disse.
O TSE, responsável por organizar e julgar questões relativas ao processo eleitoral, terá sob a gestão de Nunes Marques o desafio de conduzir um pleito marcado pela polarização política e pelo avanço de tecnologias como a inteligência artificial nas campanhas.
Nos bastidores, integrantes da Corte avaliam que o novo presidente deverá adotar um estilo mais discreto, com menor exposição pública e foco na articulação interna. O perfil de Nunes Marques é visto como de "baixa fricção", com habilidade para transitar entre diferentes grupos e construir consensos longe dos holofotes.
Essa percepção é compartilhada dentro do próprio TSE. Mendonça já ressaltou publicamente o “perfil discreto” da nova cúpula, indicando uma atuação voltada à estabilidade institucional durante o processo eleitoral.
Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques chegou ao TSE em 2021 e ocupava a vice-presidência. Durante sua trajetória, adotou posições alinhadas a pautas conservadoras, mas sem protagonizar embates públicos intensos nas Cortes superiores.
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