Poder e Governo
Cochicho de Alcolumbre, incômodo de Lula e recados de Motta marcam posse do novo articulador político do governo
Cerimônia no Palácio do Planalto evidencia aproximação entre cúpula do Congresso e Executivo
A posse de José Guimarães como novo responsável pela articulação política do governo foi marcada por sinais públicos de proximidade entre o Palácio do Planalto e os chefes do Congresso Nacional. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conversaram reservadamente ao menos quatro vezes, cobrindo a boca com as mãos para evitar leitura labial pelas câmeras. Em um desses momentos, Lula demonstrou incômodo com o que ouviu do senador.
A cena evidencia uma nova fase na relação entre Lula e Alcolumbre, após desentendimentos no fim de 2023 relacionados à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre preferia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu aliado. Após meses de impasse, Lula enviou a indicação de Messias ao Senado na semana passada, e Alcolumbre rapidamente marcou a sabatina para o dia 29.
O salão oeste do Palácio do Planalto ficou lotado para a posse de Guimarães, com presença de ministros, ex-ministros, governadores e parlamentares. Guimarães, agora ministro da Secretaria de Relações Institucionais, assume a missão de comandar a articulação política do governo.
Durante seu discurso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou a boa relação com Guimarães, a quem chamou de "amigo-irmão", mas também enviou um recado ao Executivo: “A articulação política do governo não pode ser feita apenas por uma pessoa”. Motta lembrou que, ao longo de 2023, houve tensões entre o Planalto e a Câmara, como a derrubada do decreto do IOF e a escolha do relator do projeto Antifacção, mas ressaltou a reaproximação ao final do ano. Guimarães, líder do governo na Câmara desde janeiro de 2023, tem trânsito livre com partidos do centrão.
Motta foi recebido por Lula para um almoço após a cerimônia. Entre os temas discutidos, está a prioridade do governo de votar o projeto sobre o fim da escala 6x1. Embora já tramite uma PEC sobre o tema, o governo pretende apresentar um projeto de lei para acelerar a tramitação antes das eleições.
Em seu discurso, Alcolumbre afirmou que há uma “agressão permanente às instituições”, referindo-se, sem citar diretamente, ao pedido de indiciamento de ministros do STF incluído no relatório final da CPI do Crime Organizado. “Está muito cômodo ofender os outros. Está todo mundo passando limites institucionais”, disse o senador.
Alcolumbre também destacou o "sacrifício pessoal" de Guimarães ao abrir mão de disputar o Senado pelo Ceará para assumir a Secretaria de Relações Institucionais. A disputa no Ceará envolve outros aliados do PT, como Eunício Oliveira (MDB) e Junior Mano (PSB), apadrinhado por Cid Gomes (PSB), que já indicou apoio ao PT no estado. Ciro Gomes, irmão de Cid, deve concorrer ao governo do Ceará pelo PSDB contra o atual governador Elmano de Freitas (PT).
Além de parlamentares, participaram da posse os governadores do Ceará, Elmano de Freitas; do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra; e do Maranhão, Carlos Brandão, além de ex-ministros como Camilo Santana, André Fufuca, Silvio Costa Filho e Juscelino Filho.
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