Poder e Governo

Edinho Silva rebate Galípolo por isentar Campos Neto no caso Master: 'Responsabilidade dele'

Líder nacional do PT afirmou que Banco Central deve manter investigações e também apontou culpa do ex-presidente Jair Bolsonaro

Agência O Globo - 14/04/2026
Edinho Silva rebate Galípolo por isentar Campos Neto no caso Master: 'Responsabilidade dele'
Edinho Silva - Foto: Evandro Macedo / LIDE

O presidente do PT, Edinho Silva, rebateu nesta segunda-feira a declaração de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), que afirmou e Daniel Vorcaro. Edinho frisou que, já que há investigações em curso na Polícia Federal e no Ministério Público, o BC também deve manter apurações próprias sobre a gestão anterior. O líder partidário também defendeu que, caso haja confirmação das fraudes, a responsabilidade será tanto de Campos Neto quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro, este responsável pela nomeação.

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Em entrevista à Record News, Edinho afirmou ter “muito respeito” pelo trabalho de Galípolo, de quem destacou ser amigo pessoal, mas avaliou que o posicionamento do presidente da instituição está “fora de contexto”. Daniel Vorcaro, dono do Master, assumiu o controle do banco no início do mandato de Campos Neto, em outubro de 2019.

— O Banco Master foi autorizado a funcionar durante o governo Bolsonaro, na gestão de Campos Neto, com várias operações autorizadas pelo Banco Central. Se o Mestre existe e provocou operações fraudulentas, a responsabilidade é do governo Bolsonaro e do Campos Neto — afirmou Edinho. — Nesse cenário, como você pode se aproximar de alguém? — questionou.

A declaração de Galípolo ocorreu na última quarta-feira, quando comparada à CPI do Crime Organizado. Ele foi questionado pelo presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), se tinha algum conhecimento de que Campos Neto tenha atuado para evitar a liquidação ou intervenção no Master ao longo de 2024. Galípolo avaliou que a liquidação do Master não poderia ter sido decretada antes, porque o BC tem ritos a seguir.

– A sindicância (do BC) que foi feita não encontrou nada nesse sentido — afirmou Galípolo. — Eu cheguei em janeiro de 2025, tive que seguir todos os ritos para que estivéssemos bem calçados e ainda estou respondendo a processos de órgãos de controle sobre se a liquidação não foi feita de forma precipitada. Tem essa dificuldade de passar por todo rito para evitar questionamentos — completou.

Ainda para Edinho, no entanto, uma avaliação sobre o possível autorizado só deverá ocorrer após as investigações. Ele envolveu o envolvimento do ex-diretor do Banco Central, Paulo Souza, e Belline Santana, afastados do cargo por suspeitas de ligações com Vorcaro por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Irritação no governo

Conforme demonstrado a, a estratégia do Palácio do Planalto em responsabilizar Campos Neto pelo escândalo foi combinado no início de março em reunião que contornou com a presença de Galípol e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também estavam Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, e Fernando Haddad, ex-chefe da Fazenda.

As afirmações do presidente do BC, no entanto, irritaram os ministros mais próximos de Lula. Quase ao mesmo tempo que o presidente do BC inocentava Campos Neto no Congresso, o presidente afirmava em uma entrevista ao vivo ao canal de notícias ICL que “”.

Ainda ontem, o deputado federal e vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), criticou o “corporativismo” dentro do Banco Central. Em entrevista à Globonews, o parlamentar também defendeu que a Polícia Federal (PF) “investiga tudo” e entende “quem está protegendo quem”.

— No mínimo, tem um corporativismo do Banco Central, porque ele [Galípolo] disse que não tinha nada em auditorias e sindicâncias — disse. — Sinceramente, eu acho que essa postura dele joga luz sobre todo o Banco Central. A Polícia Federal tem que investigar tudo, quem está protegendo quem, como foi feito. Acho que só existe esse caminho.

O Palácio do Planalto está disposto a tentar vincular o caso Mestre ao ex-presidente e seus aliados, conforme mostrado. Campos Neto foi indicado à presidência do Banco Central por Bolsonaro, em 2019, cargo em que chegaram até janeiro de 2025.

Durante a gestão de Campos Neto, de que o Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado em meio a denúncias de fraude, estava se expandindo em um ritmo alarmante. O sistema nacional de garantia de depósitos, conhecido como Fundo Garantidor de Crédito (FGC), enviou cartas de advertência ao BC, enquanto executivos dos maiores bancos do Brasil, principais financiadores do FGC, também entraram em contato com a autoridade monetária para manifestação, segunda pessoas familiarizadas com o assunto.