Poder e Governo
No último dia, CPI do Crime Organizado vota relatório final com foco no caso Master
Relatório de Alessandro Vieira (MDB-SE) destaca falhas de fiscalização, uso de estruturas financeiras complexas e conexões políticas envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
A CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos nesta terça-feira (18) com a votação do relatório final, que consolida o caso do Banco Master como peça central das investigações. O estágio ocorre sob a influência de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que, ao longo da comissão, limitaram quebras de sigilo, flexibilizaram depoimentos e reduziram o alcance dos trabalhos. O resultado é um diagnóstico amplo sobre o esquema investigado, porém com lacunas na produção de provas.
A comissão também já ouviu o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, mas ele cancelou sua participação. Convocado como testemunha, Castro detalharia a atuação do crime organizado no estado, apontou pela CPI como um dos principais polos de infiltração de facções e milícias, além de indicar falhas estruturais no combate a essas organizações.
O relatório, elaborado pelo senador Alessandro Vieira, sustenta que o caso do Banco Master vai além de irregularidades pontuais, revelando um arranjo mais amplo que combina fragilidades de fiscalização, uso de estruturas financeiras sofisticadas e conexões políticas.
No documento, o banco aparece como um dos principais fios condutores da investigação. Integrantes da CPI avaliaram que ocorreram falhas relevantes de supervisão por parte do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto se estruturava um circuito de transferência de recursos suspeitos dentro do sistema financeiro formal.
A discussão sobre pedidos de indiciamento segue em aberto, e o relator evita antecipar conclusões. "Estamos em trabalho de construção ainda. Não tenho como antecipar", afirmou Vieira.
Nos bastidores, porém, há expectativa de que o relatório avance sobre personagens-chave do caso, como o empresário Daniel Vorcaro e operadores ligados ao conglomerado investigado.
Permanece em análise também a situação do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, considerando dois eixos: o papel do BRB nas evidências de sustentação ao Master e a relação financeira entre fundos ligados ao banco e seu escritório de advocacia. Parte dos senadores vê esses elementos de conflito de interesses ou justificativos para abertura de investigação formal.
O relatório deve ainda explorar a relação entre fundos de investimento sob suspeitas e agentes públicos, buscando mapear como essas estruturas foram usadas para dar suporte a operações financeiras e estabelecer conexões políticas. Estão nesse eixo fundos ligados ao próprio Banco Master e à Reag Investimentos, além de veículos associados a operações investigadas na Operação Compliance Zero, como a Maridt Participações, de propriedade do ministro Dias Toffoli.
No capítulo final, o documento registra as decisões enfrentadas pela CPI, com críticas às decisões do STF. A Corte anulou quebras de sigilo aprovadas pelo colegiado, como a de Maridt, suspensa por decisão do ministro Gilmar Mendes, e garantiu o direito ao silêncio e a presença facultativa de investigados.
Entre os beneficiários que não foram colocados estão Ibaneis Rocha e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
4LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
5PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados