Poder e Governo
Empréstimo para túnel Santos-Guarujá vira nova frente de disputa de paternidade entre Lula e Tarcísio
Vice-presidente Geraldo Alckmin e ministro da Fazenda participaram de evento, em São Paulo, para formalizar operação de crédito; em discursos, destacaram papel do governo Lula na obra, enquanto Tarcísio vem minimizando participação federal no projeto
O Banco do Brasil formalizou, nesta segunda-feira (13), um empréstimo de R$ 2,6 bilhões para o governo de São Paulo custear o Túnel Santos-Guarujá. A operação de crédito vai viabilizar o início da obra, custeada pelos gestões Lula (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), e que se tornou alvo de uma disputa de paternidade entre os dois governos, adversários na esfera política. Em janeiro, fmas até agora não foram feitos os transportes necessários para o início das obras.
O evento de formalização do financiamento contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e de Portos e Aeroporto, Tomé Franca, que em seus discursos exaltaram ações do governo Lula em prol de estados e municípios, “ainda que beneficiaram adversários políticos”, e ressaltaram que o túnel imerso só sairia do papel por causa do presidente.
Segundo apurou o GLOBO, o evento pegou de surpresa integrantes do governo estadual, e foi marcado no fim da semana passada pelo governo federal. Tarcísio não participou, e em seu lugar comandou o secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita.
Tarcísio vinha dizendo, nos últimos dias, que se fosse necessário o estado estava “pronto para aportar 100% dos recursos” necessários para a obra e que o governo estadual vai investir muito mais do que o federal, o que teria incomodado integrantes do governo Lula. Os dois gestores, que buscam a reeleição, buscam faturar politicamente com o túnel, prometido há mais de 100 anos, que será o primeiro do tipo imerso no país e é uma das maiores obras de infraestrutura atualmente.
Os membros do governo federal, por outro lado, fizeram questão de exaltar, no evento, que o projeto só saiu do papel por causa do presidente da República. Nos bastidores, afirmamos que se o governador de fato tivesse dinheiro em caixa, não teria pedido o empréstimo. Já pessoas ligadas a Tarcísio criticaram, reservadamente, o evento com tamanha pompa, com a presença do vice-presidente, e afirmaram que “não havia necessidade” disso e que o presidente estaria buscando faturar em cima de um projeto do estado. Além disso, aponta uma “demora” do governo Lula em liberar o transporte.
O túnel, prometido há mais de 100 anos, custará quase R$ 7 bilhões, e terá um transporte público de R$ 5,14 bilhões, que serão divididos igualmente entre os governos federal e estadual — cerca de R$ 2,57 bilhões para cada.
Obra dividida entre os entes
No evento de formalização do empréstimo, Alckmin lembrou que, quando era governador de São Paulo, foram feitos os estudos para definir se a travessia entre Santos e Guarujá seria uma ponte ou um túnel, e chegou-se à conclusão de que o túnel imerso era a melhor saída para não limitar a altura dos navios que passam pelo canal portuário.
— O Márcio França foi o primeiro ministro de Portos e Aeroportos do governo Lula e avançou com o túnel. As coisas caminharam bem, foi feita uma parceria para o estado lícito e estamos chegando aos finalmentes para iniciar as obras. Isso é um grande ganho para o porto e para toda a região. O governo federal fará o seu transporte através do Porto de Santos e financia, através do Banco do Brasil, R$ 2,57 bilhões para o governo do estado com um ano de carência e 23 anos para pagar. Uma parceria belíssima que vai executar uma grande obra, que vai atrair mais investimento para o nosso país e trazer mais qualidade de vida para a população. Quero saudar esse espírito federativo — falou o vice-presidente.
Em sua fala, Alckmin ainda lembrou de outros financiamentos feitos pelo BNDES para custear grandes obras de infraestrutura e mobilidade em São Paulo, como o Rodoanel, o Trem Intercidades (TIC) que ligará a capital até Campinas, e a expansão da Linha 2 (Verde) do metrô.
Durigan disse que o túnel está sendo feito “a várias mãos”, mas disse que o empréstimo só foi viabilizado, “em grande medida, porque a União garante a operação, o recurso com garantia da União, caso haja o inadimplemento do estado de São Paulo”.
Em março, Tarcísio anunciou a abertura de crédito suplementar para custear os R$ 2,6 bilhões da obra. Mas ele decidiu pegar o empréstimo com o Banco do Brasil para poder liberar dinheiro no orçamento, com a União como garantida da operação.
Tarcísio explicou que com o empréstimo, poderá pegar o recurso do orçamento e usar em outra coisa, ou mesmo usá-lo para “caso haja algum problema no aporte federal”. Ele ressaltou que a parceria com o governo federal “é bem-vinda”, e que o empréstimo é uma “ganha-ganha” para o estado e para o banco.
— Os bancos públicos precisam fazer carteira, precisam emprestar dinheiro, esse dinheiro tem um custo de capital, isso dá um retorno financeiro para o banco também. Para o estado, isso é interessante porque junto com o pagamento, as pessoas jogam esse pagamento em parcelas a longo prazo, o que permite espaço para que as pessoas possam fazer outros investimentos. O estado ganha, o banco ganha – falou durante a entrega do novo terminal de ônibus Varginha, anexo à estação de mesmo nome da Linha 9 (Esmeralda), horas antes do evento do Banco do Brasil.
A parcela do governo federal está garantida pela Autoridade Portuária de Santos (APS). Entretanto, até ao momento a União não aportou dinheiro na obra porque, em março, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou o estabelecimento, em março, de regras mais rígidas para a governação dos recursos.
Apesar de evitar criticar Lula diretamente, o governador ressaltou que a iniciativa de tirar o túnel do papel foi de sua gestão. O estado atualizou um projeto de Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa), uma estatal extinta que cuidava das rodovias e travessias litorâneas no estado. Ele ainda disse que o estado vai custar muito mais da obra, porque apesar do aporte ser dividido igualmente entre os dois entes, a contraprestação quando o túnel começar a operar e os custos de desapropriação, por exemplo, ficam com o governo estadual.
— Meu objetivo é olhar o resultado, a população sendo atendida, não vou ficar discutindo paternidade, isso é bobagem, o que interessa é fazer. Na parceria, o governo federal coloca 50% do esporte, não é 50% do custo total do empreendimento porque esse empreendimento tem esporte e tem contraprestação. O esporte é dividido, a contraprestação é 100% do governo do estado. Então no final das contas, quando você põe na balança, é mais ou menos 84% do governo do estado e 16% do governo federal – disse.
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
4LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
5PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados