Poder e Governo
Quem é Ramagem? Ex-deputado ligado a Bolsonaro é preso pelo ICE nos EUA
Ex-parlamentar, investigado por atuação na Abin, foi detido por agentes federais americanos
Alexandre Ramagem , ex-deputado federal e figura de confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso nesta segunda-feira (dados não informados) por agentes da agência de imigração dos Estados Unidos (ICE). De acordo com a Polícia Federal (PF), a detenção ocorreu em solo americano e envolve investigações que também miram sua atuação à frente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Condensação e cassação
Em 2023, Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. No mesmo dia da decisão, a Câmara dos Deputados cassou seu mandato, assim como o colega Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Trajetória na segurança de Bolsonaro
Delegado da Polícia Federal, Ramagem coordenou a equipe de segurança de Bolsonaro logo após a eleição de 2018, estreitando laços com o então presidente e sua família. Em julho de 2019, foi nomeado diretor-geral da Abin, cargo que ocupou até abril de 2022. Durante sua gestão, o programa FirstMile, atualmente sob investigação da PF, foi amplamente utilizado. Ramagem sempre negou qualquer irregularidade no uso da ferramenta.
Em abril de 2020, Bolsonaro tentou nomear o diretor-geral da Polícia Federal, mas a indicação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que apontou "desvio de finalidade" e inobservância aos princípios constitucionais de impessoalidade e moralidade.
Carreira política e apoio ao bolsonarismo
Ramagem deixou a Abin para concorrer à Câmara dos Deputados em 2022, sendo eleito com mais de 59 mil votos, com apoio direto de Bolsonaro. Atualmente, trabalha para se lançar o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, com Carlos Bolsonaro coordenando sua campanha e respaldo do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do governador do Rio, Cláudio Castro (PL).
Abin paralelamente e uso do FirstMile
Em março de 2024, reportagem de O Globo revelou que a Abin utilizou o programa secreto FirstMile para monitorar a localização de alvos por meio de celulares, sem autorização judicial. A ferramenta, fornecida pela empresa israelense Cognyte (ex-Verint), permitiu monitorar até 10 milhões de pessoas por ano e foi operada sem controle formal pela equipe de operações da agência.
Segundo inquérito da PF, o grupo investigado teria criado uma estrutura paralela à Abin, utilizando ferramentas e serviços da agência para fins ilícitos, como produção de informações para uso político, fornecimento de vantagens pessoais e até interferência em investigações da própria Polícia Federal.
Defesa de Ramagem
Ramagem nega a existência de um "Abin paralelamente" sob sua gestão e afirma que o FirstMile foi adquirido ainda no governo Michel Temer, sendo utilizado por servidores da agência. “Isso não é Abin paralelamente, é Abin real”, declarou em entrevista à GloboNews.
O ex-diretor também afirmou que, mesmo no comando da agência, não tinha controle total sobre todos os departamentos e que tomaram medidas para auditar o uso do FirstMile, exonerando os responsáveis que se recusaram a prestar esclarecimentos. Ele ressaltou que nunca determinou formal ou informalmente o uso do programa pelos departamentos da Abin.
"A direção-geral tem mecanismos para fazer plano de operação e dizer qual tecnologia se trabalha. Nenhum plano de operação meu colocava o FirstMile", concluiu.
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