Poder e Governo
Associações indígenas citam temor de 'projeto de morte' e declaram apoio à reeleição de Lula
Povos originários defendem continuidade democrática e prometem seguir cobrando demarcação de terras do governo petista
O Acampamento Terra Livre, maior manifestação dos povos indígenas do Brasil, encerrou sua edição de 2026 com a divulgação de uma carta em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e organizações de base dos seis biomas nacionais afirmam que a eleição deste ano representa uma disputa direta entre "o retorno de um projeto de morte" e "a continuidade de um campo democrático".
Manifestação em São Paulo
Segundo a carta, "hoje, essa lógica se reorganiza no cenário nacional e internacional com o avanço da extrema direita, que transforma direitos em alvo e territórios em mercadoria. No Brasil, esse campo segue forte dentro do Congresso Nacional, que atua como inimigo dos povos ao impulsionar leis e projetos que matam nossos povos".
O texto ressalta que o apoio dos indígenas a Lula "não é cego". "Seguimos com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam nossas vidas", afirmam.
Os povos originários defendem que "a demarcação de todas as Terras Indígenas deve ser tratada como base da soberania nacional, com garantia de proteção e desintrusão dos territórios". O documento destaca ainda a necessidade de fortalecimento das políticas indígenas, com estrutura, orçamento e governança permanente, assegurando a vida, a segurança e o bem viver nos territórios.
Até o momento, o governo Lula homologou 20 Territórios Indígenas e assinou 21 portarias declaratórias, etapa anterior à demarcação definitiva.
Crítica ao bolsonarismo
Sem citar nomes, o coletivo faz críticas ao bolsonarismo — representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência em 2026.
"Essa mesma força política já governou o país e deixou marcas profundas. Paralisou demarcações, incentivou violências e operou uma política genocida, agravada com a pandemia da COVID-19. Esse projeto segue organizado e busca retomar o poder com a mesma base de atuação", diz o texto.
Nesta sexta-feira, Flávio Bolsonaro defendeu que comunidades tradicionais tenham autonomia para criar gado e explorar minérios em seus territórios.
O pré-candidato afirmou ainda que, em uma eventual gestão sua, vai "respeitar os indígenas" e dar autonomia para que decidam "o que é melhor fazer nas suas terras".
— Se é plantar, se é botar gado, se é explorar minérios, se é implementar algum empreendimento de turismo, os indígenas têm que falar o que é melhor, têm que decidir o que é melhor para eles. Vão ganhar royalties, dinheiro disso. Vão prosperar, vão evoluir com isso, como alguns povos indígenas já estão fazendo. Não pode ser mais a caneta de um juiz que vai decidir qual é esse futuro — defendeu.
Críticos da proposta, incluindo ambientalistas, alertam que tais atividades podem causar poluição, desmatamento e afetar o modo de vida tradicional dos povos indígenas.
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