Poder e Governo

Empresário acusado de fraudes no INSS firma delação premiada com a Polícia Federal

Maurício Camisotti está preso desde setembro do ano passado

Agência O Globo - 10/04/2026
Empresário acusado de fraudes no INSS firma delação premiada com a Polícia Federal
Maurício Camisotti

Maurício Camisotti , empresário detido desde setembro de 2023 sob suspeita de atuar como um dos operadores de um esquema de fraudes no INSS, firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO. Camisotti teve prisão preventiva decretada durante a Operação Sem Desconto, que também resultou na detenção do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Os advogados responsáveis ​​pela negociação do acordo são Átila Machado e Celso Vilardi, ambos experientes em delações premiadas. Vilardi atuou na colaboração da Hypera Pharma, enquanto Machado representou o doleiro Dario Messer, ambos no contexto da Operação Lava Jato. Procurada, a defesa não se manifestou sobre o caso.

Segundo as investigações, Camisotti e o “Careca do INSS” são apontados como principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões do INSS, por meio de acordos de cooperação técnica com a autarquia. Os descontos foram realizados sem a consentimento dos beneficiários.

“Do material coletado nas diversas diligências, emergem fingidos robustos de que os indivíduos inicialmente investigados, Antônio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti, atuaram como líderes da estrutura delitiva, promovendo o branqueamento de milhões de reais provenientes dos descontos indevidos”, destacou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão sobre o caso.

De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Camisotti realizou saques que somaram R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo, distribuídos em 17 operações entre 2018 e 2025, o que levantou suspeitas das autoridades. Para a Polícia Federal, o empresário desenvolveu "condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial, conforme orientação do Coaf".