Poder e Governo

Indefinição sobre acordo com grupo de Paes na Alerj causa racha no PSOL

Divergências sobre apoiar nome do ex-prefeito do Rio e defesa de candidatura própria expõem divisão interna no partido

Agência O Globo - 10/04/2026
Indefinição sobre acordo com grupo de Paes na Alerj causa racha no PSOL
Indefinição sobre acordo com grupo de Paes na Alerj causa racha no PSOL - Foto: Reprodução / Instagram

Divisões internacionais no PSOL se aprofundam na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) diante da indefinição sobre uma possível aproximação com o grupo político do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). O impasse trava a escolha de um nome do partido para disputar a presidência da Casa e evidencia a dificuldade em construir consenso, especialmente diante do cenário de incerteza sobre as regras da eleição suplementar para o governo estadual, que ainda serão definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma ala do PSOL defende o lançamento de candidaturas próprias em todas as frentes, rejeitando qualquer composição com grupos ligados ao centrão ou à base de Paes. A decisão, no entanto, será formalizada em conferência marcada para este sábado, na sede do Sindisprev, na Lapa, centro do Rio. Na ocasião, o partido pretende deliberar sobre nomes para o governo do estado, Senado, eventual mandato-tampão e presidência da Alerj.

— A nossa posição está consolidada. Vai ter uma conferência do PSOL em que você lançará meu nome para a eleição de mandato-tampão e governo. Minha candidatura está registrada e solicitada. Claro que estamos aguardando a deliberação dos ministros do STF sobre as eleições, mas já estou me adiantando. Acredito que o PSOL tem que disputar essa eleição para valer — afirmou o deputado federal Glauber Braga.

Glauber é um dos nomes cotados para a disputa, ao lado do vereador William Siri (PSOL), tanto para uma eventual eleição indireta quanto para o governo estadual. Apesar da entrega, interlocutores do partido admitiram que não há maioria consolidada em torno do nome de Glauber, o que evidencia o grau de divisão interna.

Para a vaga do Senado, os nomes da vereadora Mônica Benicio e da suplente Luciana Boiteux estão sendo considerados.

Impasses sobre a presidência da Alerj

A possibilidade de aproximação do partido com Eduardo Paes gerou desconforto entre membros da legenda na Casa. Parte da bancada defende que o PSOL não apoie nomes ligados à família Reis nem candidatos associados ao centrão na Alerj. Entre os nomes apoiados pelo grupo de Paes para a disputa estão os deputados Vitor Júnior (PDT), André Corrêa (PSD) e Rosenverg Reis (MDB).

As divergências, segundos parlamentares, não se restringem ao apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas refletem uma leitura da conjuntura nacional e local. Entre os pontos de tensão está a decisão de não apoiar Eduardo Paes nas eleições de outubro nem em uma eventual disputa por mandato-tampão, adotando postura de oposição.

Para o deputado estadual Professor Josemar (PSOL), o caminho é a afirmação da independência política:

— Eu defendo que o PSOL lançou candidatura própria para presidência da Alerj e não achei correta nenhuma negociação com Eduardo Paes.

Enquanto o PSOL enfrenta dificuldades internas, o grupo de Paes defende uma união de forças. O deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, afirma que a sobrevivência do grupo depende da construção da unidade diante da atual predominância da direita na Alerj:

— O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL.

A estratégia inclui ampliar a bancada da nomeação — atualmente com seis deputados — para até dez cadeiras, o que a colocaria como a segunda maior da Casa, atrás apenas do PL, que reúne 22 parlamentares.

A definição sobre candidaturas e alianças deverá ocorrer somente após o julgamento do STF, que ainda vai estabelecer as regras da eleição.