Poder e Governo

Gilmar Mendes relata à Corte que ouviu de diretor da PF sobre 'mesada do jogo do bicho' a deputados da Alerj

Ministro faz revelação durante sessão do STF que discute formato da eleição para mandato-tampão no Rio de Janeiro

Agência O Globo - 09/04/2026
Gilmar Mendes relata à Corte que ouviu de diretor da PF sobre 'mesada do jogo do bicho' a deputados da Alerj
Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Reprodução

O ministro Gilmar Mendes , do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou durante sessão da Corte nesta quinta-feira (20) que, em conversa com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi informado de que "32 ou 34 parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) receberam mesada do jogo do bicho". A declaração prestada durante o julgamento que discute se a eleição para o mandato-tampão do governo do Rio será realizada de forma direta ou indireta. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

— O presidente da Assembleia está preso. Eu conversei com o diretor da Polícia Federal que disse que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia receberam mesada do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser causa de decisão, mas é preciso ter isso como motivo — afirmou Gilmar Mendes.

A discussão será retomada nesta quinta-feira :

Durante a sessão, Gilmar Mendes também citou, adaptando uma frase em espanhol, que o estado do Rio de Janeiro estaria "longe de Deus" e "próximo das milícias e do crime". Antes de sua fala, o ministro Flávio Dino pediu vista ao processo, defendendo que o STF aguarde o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluir o julgamento do ex-governador Cláudio Castro antes de avançar na discussão sobre as eleições no estado.

Segundo Dino, o acórdão do TSE, ainda não publicado, irá “elucidar pontos” em debate. Para ele, o Rio vive uma “encruzilhada” eleitoral, não causada pelo TSE, mas por um “evento no meio do julgamento”, referindo-se à renúncia de Castro.

— Considere que, com essas propostas, a melhor solução é aguardarmos a consumação do julgamento — disse Dino.

Após o pedido de vista, o ministro André Mendonça adiantou o seu voto, destacando a urgência da definição e manifestando-se a favor da eleição indireta.

— Eu não acho adequado deixar a situação indefinida ainda no Rio de Janeiro. Então, ainda mais mantendo-se uma liminar (que mantém o desembargador Ricardo Couto como governador interino). Se é para pedir vista e manter uma situação de indefinição, prefiro antecipar meu voto. Eu acho que houve um questionamento da decisão do TSE, um questionamento antecipado, ainda sem publicação (de acórdão). Na minha perspectiva, houve um atravessamento e deslegitimação do TSE no exercício das suas atribuições — afirmou Mendonça.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, relatou com Mendonça e foi enfática:

— A conduta de assunção de competência antes de examinar a competência do TSE foi sim uma assunção indevida, muito agressiva contra o TSE. Não existe julgamento prolatado — disse Cármen Lúcia.

Dino também informou que devolverá o processo ao plenário do STF assim que o acórdão do TSE, que condenou Cláudio Castro, por publicado — o que deverá ocorrer na próxima semana, segundo Cármen Lúcia.

No início do julgamento, na quarta-feira (19), o ministro Cristiano Zanin reiterou voto a favor de eleições diretas para o mandato-tampão no Rio, abrindo possibilidade para um pleito único em outubro. Por outro lado, o ministro Luiz Fux defendeu eleições indiretas, citando a proximidade do pleito regular e liberando a renúncia de Cláudio Castro, mesmo que ocorrido na véspera de sua reportagem pelo TSE.