Poder e Governo
Olho no celular, protesto e queixa sobre Gotham City: como a Alerj acompanhou 1° dia de votação no STF sobre eleição-tampão
Clima no plenário foi descrito por parlamentares como semelhante ao de uma final de campeonato
A sessão de ontem na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) foi marcada pelo clima de tensão de “final de campeonato” e pela articulação intensa nos bastidores, enquanto os deputados acompanhavam, em tempo real, o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as regras para a sucessão no governo do estado.
'Maldosos':
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Desde o início dos trabalhos, o clima no plenário foi descrito pelos parlamentares como semelhante ao de uma final de campeonato. Enquanto o presidente da Casa, Guilherme Delaroli (PL), fazia a leitura da Ordem do Dia, a maioria dos deputados mantinha os olhos fixos nos celulares, monitorando cada voto dos ministros. Conversas ao pé de ouvido, ligações e publicações paralelas dominaram o ambiente — todas centradas em um único tema: o futuro do governo fluminense e os desdobramentos na eleição interna da Alerj.
O plenário esteve cheio, com registro de presença de 68 deputados. Apenas Samuel Malafaia (PL) não participou da sessão, por estar licenciado.
Nos corredores, a avaliação predominante é de que o presidente interino do Legislativo, Ricardo Couto, deve permanecer no comando da Casa, ao menos no curto prazo. Ainda assim, parlamentares do PL afirmam que seguem vendo margem para reverter o cenário, dependendo do andamento no STF.
Debate em plenário expõe divergências
Durante a sessão, o tema também foi levado à tribuna. O deputado Luiz Paulo (PSD) defendeu a realização de eleições diretas, citando o princípio da soberania popular prevista na Constituição:
— O poder emana do povo. Não tenho dúvidas de que a Constituição aponta para a eleição direta — afirmou.
Já o deputado Felipe Poubel (PL) argumentou que o cenário mais provável é a adoção de eleições indiretas, citando dificuldades operacionais e custos de uma eventual convocação de dois pleitos consecutivos no estado.
— A gente enxerga que não há tempo hábil para duas eleições diretas no Rio, sem contar o custo. Imagina uma eleição em cima da outra, com possibilidade de segundo turno. Você pode ter o eleitor indo às urnas quatro, cinco vezes em um período muito curto — afirmou.
O parlamentar disse ainda que deve reunir uma bancada do PL junto ao presidente da sigla, Altineu Côrtes, para discutir estratégias a partir da decisão dos ministros.
— Qualquer decisão sobre a eleição será tomada em conjunto. — complementou.
Outro momento de destaque foi o discurso do deputado Bruno Dauare (União), que criticou a comparação feita por um advogado do PSD, que teria associado o Rio a “Gotham City”. Dauare também aprovou o discurso para parabenizar policiais por uma grande apreensão de drogas no Complexo da Maré.
— Um dia nós, deputados, não ficaremos mais aqui, mas a Alerj continuará. É muito triste ver como as instituições do estado têm sido tratadas como aplicações financeiras. E não pode um advogado, em um julgamento no STF, no dia da maior apreensão de drogas da história do Brasil, dizer que este estado é uma “Gotham City” — afirmou.
Protesto cobra voto direto do lado de fora
Se dentro da Alerj o clima era de articulação política, do lado de fora o cenário era de pressão popular. Integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizaram uma manifestação em frente ao prédio, defendendo a realização de eleições diretas para o governo do estado. Além deles, membros de outros partidos como PSOL, PT e Partido Comunista Revolucionário (PCR) também participaram.
Durante o ato, os manifestantes exibiram cartazes com imagens de ex-governadores presos e também do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. O grupo criticou a condução das decisões políticas pela Casa e cobrou maior participação popular no processo.
Bastidores seguem indefinidos
Apesar das manifestações públicas e das posições já delineadas em plenário, o cenário segue indefinido. Os Bancadas ainda discutem internamente seus próximos passos, à espera de uma decisão final do STF que estabelece as regras para a sucessão.
Enquanto isso, o ambiente na Alerj permanece em ebulição — com negociações intensas, discursos estratégicos e a expectativa de que qualquer definição jurídica possa redesenhar rapidamente o tabuleiro político no estado.
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