Poder e Governo
'A Rede não tem dono' x 'retomar valores': entenda o embate entre Marina e a cúpula do partido, ligada a Heloísa Helena
Ambientalista anunciou permanência na sigla mesmo diante da disputa interna que provocou a debanda de aliados
A disputa entre o diretório nacional da Rede Sustentabilidade e a ala do partido ligado à ex-ministra do Meio Ambiente ganhou novos contornos. Em nota divulgada na noite de terça-feira, a direção da sigla, comandada por Paulo Lamac, aliado da deputada federal Heloísa Helena, disse ter recebido com “indignação e perplexidade” o anúncio de Marina, no fim de semana, de que permanecerá na legenda. O grupo acusa o ambientalista de recusar-se a dialogar com a instância máxima da Rede e alega que, em nenhum momento, sugeriu o desligamento da aliada do presidente Luiz Inácio da Silva (PT).
Cassado em votação aberta:
'Paralisia crônica':
Após meses de indefinição, Marina, que recebeu convites do PT e do PSB, afirma ter optado pela permanência para “retomar valores basilares” do partido. Mesmo com conflitos internos que provocaram a debanda de aliados, o ex-ministro repetia nos bastidores que lutaria “até o fim” para manter-se na sigla que ajudou a financiar, mas o calendário eleitoral poderia ser um obstáculo.
Na nota, o diretório nacional da Rede Rebate o argumento do grupo de Marina, que acusa o comando do partido de desrespeitar o “princípio horizontal estruturante” da legenda na tomada de decisões. A cúpula afirma ter sido eleita de “forma democrática”.
“A Rede não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais. Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. A democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, sustenta a direção do partido.
— No fundo, a nota da direção atual da Rede termina por reforçar o que tenta negar. Mas nós seguimos acreditando que a boa política faz com a pluralidade de pensamentos — disse ao GLOBO na quarta-feira Giovanni Mockus, aliado de Marina derrotado por Lamac na eleição interna.
Intenção de se candidatar persistir
A Rede, que compõe uma federação com o PSOL, reforçou o apoio à campanha do presidente Lula à reeleição e à do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. Marina se colocou à disposição para ser o segundo nome ao Senado na chapa de Haddad, mas o martelo ainda não foi batido.
Em entrevista a Míriam Leitão, na GloboNews, Marina. O ex-ministro disse que é normal existirem discordâncias dentro dos partidos, mas não que “alguém queira que uma parte silencie diante das divergências”.
— Eu não posso permanecer fazendo de conta que vários diretórios legitimamente eleitos não foram desfeitos e foram impostos provisórios. Não posso negar que existam divergências em relação ao programa, ao estatuto, aos princípios fundantes pelos quais milhares e milhares de pessoas se mobilizaram para coletar assinaturas — argumentou Marina.
O ex-ministro chegou a se reunir com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em janeiro, quando foi convidado para retornar à legenda, que saiu em 2009.
Rompimento em 2022
O tensionamento da relação de Marina com lideranças da Rede se aprofundou em abril do ano passado, após a eleição para a presidência nacional do partido, vencida pelo grupo de Heloísa Helena. A deputada está rompida com o ex-ministro desde 2022 e, atualmente, faz oposição ao governo Lula no Congresso.
Os Aliados de Marina publicaram, em dezembro, um manifesto no qual critica a direção nacional da sigla por mudanças no estatuto partidário. No documento, também afirmavam haver perseguição interna contra o ambientalista.
Os nomes vindos do ex-ministro optaram por deixar a sigla na janela partidária. Em São Paulo, a deputada estadual Marina Helou, por exemplo, migrou para o PSB, assim como o deputado federal Ricardo Galvão. Por outro lado, o partido comandado por Lamac anunciou nos últimos dias a chegada de novos quadros, como os deputados federais André Janones (MG) e Luizianne Lins (CE), que eram filiados ao Avante e PT, respectivamente.
A disputa interna teve desdobramentos jurídicos, até agora, desenvolvidos à ala de Marina. Em janeiro, a Justiça do Rio anulou o congresso nacional da Rede que culminou na vitória de Lamac. O juiz Marco Antônio Ribeiro de Moura Brito registrou a existência de irregularidades graves no processo de convocação, credenciamento e votação em uma reunião municipal da legenda. A decisão também declarou nulos, por consequência, outros encontros no estado do Rio, em outros entes federativos e em escala nacional, incluindo o que determinou a vitória da aliada de Heloísa Helena.
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