Poder e Governo
Cassado em votação aberta, Witzel acompanha julgamento no STF e defende sigilo em eventual eleição indireta no Rio
Ex-governador tentou participar como parte interessada ao representar partido, mas pedido foi negado
O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, cassado após processo de impeachment em votação aberta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), esteve nesta quarta-feira (XX/XX) no Supremo Tribunal Federal (STF) para acompanhar o julgamento que definirá o modelo de eleição para o governo do estado após a renúncia de Cláudio Castro.
Durante a sessão, Witzel defendeu que, caso seja escolhida a eleição indireta, o voto dos deputados estaduais seja secreto, argumentando que isso garantiria maior lisura ao processo.
Advogado do Partido Democrata (antigo PMB), Witzel tentou ingressar na ação como parte interessada representando a legenda, mas teve o pedido negado. Apesar disso, permaneceu no Supremo para acompanhar a discussão sobre o futuro político do estado.
O ministro Cristiano Zanin reiterou seu voto a favor da realização de eleições diretas para o mandato-tampão no Rio, classificando a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, às vésperas de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como uma “burla”.
O placar do julgamento está empatado em 1 a 1: o relator Luiz Fux votou por eleições indiretas, citando a proximidade do calendário eleitoral, enquanto Zanin optou pelas diretas.
Witzel destacou que seu interesse no caso está relacionado ao próprio processo de impeachment que o afastou do cargo. Segundo ele, a votação aberta na Alerj, em 2020, teria sido contaminada por pressões políticas semelhantes às que, segundo ele, ocorrem agora.
— Hoje, com demonstração clara de que a Assembleia do Rio de Janeiro está de certa forma sendo pressionada para votar com o grupo do governador que saiu, retroagindo a 2020, o processo de impeachment contra mim teve a mesma contaminação. Foi um processo ilegítimo — afirmou.
O ex-governador acrescentou que o partido que representa é favorável à eleição direta. No entanto, caso prevaleça o entendimento por eleição indireta, defende que ela ocorra com voto secreto e regras que assegurem mais transparência. Para Witzel, a renúncia de Castro teve o objetivo de impedir a eleição direta e manter seu grupo no poder.
— A situação da Assembleia do Rio de Janeiro demanda muita cautela numa eleição indireta com voto aberto — concluiu.
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