Poder e Governo
Grupos de Paes e Ruas intensificam articulações pelo comando da Alerj, à espera de decisão do STF
Grupo do ex-prefeito da capital busca unidade, mas enfrenta impasses internos, enquanto PL elabora estratégias caso Ricardo Couto permaneça como governador interino
À espera do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que definirá o modelo de eleição para o mandato-tampão no governo do Rio, aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e do deputado Douglas Ruas (PL), ambos pré-candidatos ao Palácio Guanabara, intensificaram as negociações para o comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de olho na sucessão do estado. Enquanto o grupo de Paes busca unidade, mas ainda enfrenta impasses internos, o PL de Ruas traça estratégias para o caso do STF decidir pela permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, como governador interino.
Costuras à esquerda
À esquerda, as intenções buscam a convergência entre PSD e PSOL. O partido liderado por Paes saiu fortalecido da janela partidária — passando de seis para dez deputados — e tenta viabilizar um nome competitivo para enfrentar o grupo de Ruas em uma disputa na Alerj. Com o apoio de outras siglas, aliados do ex-prefeito estimam contar com 23 parlamentares e ainda buscam votos do Centrão. São necessários 36 votos para eleger o presidente da Casa.
Nesse contexto, atrair o apoio dos cinco deputados do PSOL, que mantém a candidatura própria, é considerado decisivo. O deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, ressalta que a sobrevivência do grupo depende da construção da unidade diante da atual predominância da direita na Alerj:
— O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL e toda a sua máfia.
O PSOL, porém, adota postura mais rígida nas negociações, condicionando a adesão a uma frente mais ampla, liderada pelo PSD, a um alinhamento político prévio. A legenda busca um nome que defende o presidente Lula como candidato do bloco.
— A candidatura do PSOL é para contribuir com a unidade da esquerda e do campo progressista. Um nome que defende o presidente Lula é o mais aceitável dentro do nosso partido — afirma a líder do PSOL na Casa, Renata Souza.
As discussões ganharam força após o PSD sinalizar a possibilidade de apoio para o comando da Casa André Corrêa, recém-filiado à legenda, e Rosenverg Reis (MDB), irmão de Jane Reis, que compõe a chapa de Paes para as eleições de outubro. Deputados do PSOL indicam que, entre os cotados, o único nome com previsão para apoio da bancada é Vitor Júnior (PDT), que mantém diálogo com Paes.
Estratégias à direita
À direita, os deputados se articulam para um cenário em que o STF entende que Couto deve permanecer como interino. Essa possibilidade leva o grupo a discutir o lançamento de Guilherme Delaroli para a presidência da Alerj. A estratégia, defendida no PL, baseia-se na tese da “continuidade administrativa”. A avaliação é que, como Delaroli já está à frente do Legislativo desde o afastamento de Rodrigo Bacellar, sua efetivação no cargo evitaria rupturas na condução da Casa e reduziria desgastes políticos. Além disso, abriria caminho para que Ruas se dedicasse integralmente à campanha de outubro.
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