Poder e Governo
Galípolo confirma ida à CPI do Crime; Campos Neto, convocado, deve faltar
Presidente do Banco Central depõe sobre caso Master; comissão busca fôlego na reta final e pode não ser prorrogada
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta terça-feira que comparecerá, nesta quarta, à CPI do Crime Organizado. O anúncio ocorre em um momento em que a comissão tenta evitar o esvaziamento de depoimentos e busca ganhar tração na reta final dos trabalhos.
A presença foi comunicada pelo senador Fabiano Contarato e confirmada também pela assessoria do próprio Galípolo.
— O presidente do Banco Central confirmou presença na manhã desta terça-feira — afirmou Contarato.
Ao contrário de outros alvos da CPI, Galípolo foi chamado na condição de convidado, o que torna sua participação facultativa.
O requerimento aprovado pela comissão, de autoria do senador Eduardo Girão, detalha o foco da oitiva e associa o depoimento ao caso do Banco Master. A justificativa menciona diretamente uma reunião no Palácio do Planalto com investigados:
“O Sr. Gabriel Galípolo (…) esteve presente em reunião realizada em novembro de 2024 (…) com a participação (…) de Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master”.
A argumentação destaca ainda que a presença do chefe da autoridade monetária no encontro “suscita questionamentos legítimos”, e que a CPI busca esclarecer “a finalidade institucional da reunião” e possíveis desdobramentos regulatórios.
Na mesma sessão, a CPI também espera ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que foi convocado — condição que, em tese, obriga o comparecimento.
No entanto, nos bastidores, a expectativa é de ausência. Campos Neto já recorreu ao STF em outras ocasiões para garantir o direito de não comparecer e obteve decisões favoráveis.
Reta final sob pressão
A confirmação de Galípolo ocorre na última semana de funcionamento da CPI, cujo prazo para encerramento é o próximo dia 14, ainda sob incerteza sobre eventual prorrogação.
O relator, senador Alessandro Vieira, tenta negociar uma saída com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com quem deve se reunir nesta terça-feira.
No entorno de Alcolumbre, a avaliação é de que a extensão da comissão é pouco provável, devido ao calendário eleitoral e à resistência em manter CPIs ativas neste momento.
A reta final também tem sido marcada pelo esvaziamento de oitivas, após decisões do STF que vêm convertendo convocações em convites e assegurando aos depoentes o direito de não comparecer ou de não responder perguntas. Nesta terça-feira, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, faltou à comissão.
Nesse contexto, a presença de Galípolo é vista por integrantes da CPI como tentativa de dar novo fôlego à comissão nos últimos dias.
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