Poder e Governo

Com fim da janela partidária, PL amplia bancada na Alerj e fortalece apoio a Ruas

Aliados de Paes, por sua vez, avaliam que decisões judiciais podem nivelar disputa

Agência O Globo - 07/04/2026
Com fim da janela partidária, PL amplia bancada na Alerj e fortalece apoio a Ruas
Com fim da janela partidária, PL amplia bancada na Alerj e fortalece apoio a Ruas - Foto: Reprodução

Após ampliarem suas bases na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) com o fim da janela partidária, o PL, partido de Douglas Ruas, e o PSD, de , aguardam o abridor de ações judiciais para definir seus próximos passos na corrida sucessória do estado do Rio. Embora as migrações de deputados entre partidos tenham consolidado a maioria favorável às Ruas na Alerj, os aliados de Paes têm uma expectativa de que decisões da Justiça do Rio e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre regras eleitorais, aguardadas para esta semana, acabem nivelando a disputa.

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O PSD articula candidaturas contra Ruas para disputar a presidência da Alerj e um governo-tampão. Reservadamente, o entorno do ex-prefeito do Rio avalia que só será competitivo se houver decisões por voto secreto, ou se a eleição para governador direto, isso é, com voto popular.

O grupo de Ruas conta com a força do PL e dos aliados União Brasil e PP. Somado, o trio de legendas tem hoje 33 deputados estaduais, apenas três abaixo do número de votos necessários para presidir a Assembleia e para fazer o governador-tampão, caso esta eleição seja indireta — ou seja, com votos dos deputados.

Antes da janela — período de um mês em que os parlamentares podem trocar de sigla —, esses partidos tinham 32 deputados. O PL saltou de 18 para 22 parlamentares na Alerj, e atraiu inclusive nomes que negociaram um apoio a Paes, como o deputado estadual Chico Machado (ex-Solidariedade).

Pelas regras da linha sucessória, é o presidente da Alerj que assume o governo após a vacância deixada pelo ex-governador Cláudio Castro (PL), que renunciou no dia 23 de março. Como esse posto na Assembleia também está vago, o governador interino até aqui é o presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Couto.

Articulação para PSD

O PSD, por sua vez, saltou de seis para dez deputados, o que deu fôlego às articulações de Paes. O ex-prefeito costura uma aliança com PT, PCdoB, PSB, PDT e MDB, para prolongar com ao menos 20 votos e concorrer contra Ruas pela presidência da Assembleia. Por ora, os deputados Rosenverg Reis (MDB) e Vitor Junior (PDT) são cotados para disputar o comando da Alerj por esse grupo.

— Estamos aguardando a decisão do Eduardo Paes, que é quem vai arrumar esse tabuleiro. Não podemos deixar a Alerj na mão de um neófito — afirma Rosenverg, alfinetando o fato de Ruas estar no primeiro mandato.

Esta eleição deverá ocorrer após a próxima terça-feira, data em que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) homologará a nova composição da Assembleia já sem seu ex-presidente Rodrigo Bacellar (União), que foi cassado por crime eleitoral e está preso devido a uma suposta ligação com facções criminosas.

A Justiça do Rio chegou a anular uma eleição à presidência da Alerj feita às pressas para substituir Bacellar, há duas semanas, e que tinha dado vitória a Ruas com apoio de 45 deputados. Na ocasião, a desembargadora Suely Lopes Magalhães entendeu que era preciso aguardar a chamada “retotalização” das cadeiras da Alerj, que só foi feita pela Justiça Eleitoral na semana passada — e que, na prática, acabou colocando mais um deputado do PL na vaga antes ocupada pelo Bacellar.

A decisão judicial que anulou a eleição da Alerj nasceu de um mandato de segurança impetrado pelo PDT, partido de Vitor Junior. A sigla também entrou com outra ação na Justiça do Rio, na semana passada, saindo que a votação à presidência da Alerj seja secreta. Na segunda-feira, a desembargadora Suely Lopes Magalhães, também relatora desta ação, notificou a Alerj e o governo do Rio para que se manifestassem sobre o pedido do PDT.

Paes, embora tenha ampliado sua aliança partidária, também atua para evitar traições. Na eleição anulada à presidência da Alerj, ele viu dois deputados do PSD votarem a favor de Ruas. E três dos quatro parlamentares recém-filiados ao seu partido também votaram nas Ruas naquela ocasião.

Outra tentativa do PSD é de atrair o apoio do PSOL. Com cinco deputados, a sigla deseja lançar candidato próprio à presidência da Alerj. O objetivo de Paes é ao menos encaminhar um segundo apoio da bancada psolista num turno.