Poder e Governo

Flávio tenta conter críticas de Eduardo a aliados: "Não é inteligente"

Senador diz que vitória depende da união da direita e afirma que Eduardo enxerga sua eleição como caminho de volta ao Brasil

Agência O Globo - 06/04/2026
Flávio tenta conter críticas de Eduardo a aliados: 'Não é inteligente'
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Vittor Sales / Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira que tem atuado para conter declarações do irmão, Eduardo Bolsonaro, contra aliados, em meio às recentes tensões no campo bolsonarista. Segundo Flávio, o momento exige coordenação e a redução de conflitos internos para fortalecer o grupo.

O senador destacou que será necessário reunir lideranças de diferentes correntes da direita para viabilizar sua candidatura e vencer a eleição presidencial. A estratégia, segundo ele, passa por diminuir as disputas internas. Flávio também disse compreender a postura do irmão, que está fora do país e, de acordo com ele, enxerga sua eleição como a principal forma de retornar ao Brasil.

— Dos irmãos, converso com Eduardo sempre. Converso até mais com Eduardo do que com o Carlos. Por conta da necessidade, às vezes, de aparar uma aresta, trocar uma ideia, segurar uma onda aqui e ali. Ele é um cara muito preparado. É contraproducente (a postura), ainda mais nesse momento, não é inteligente — declarou Flávio, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.

Na entrevista, Flávio também citou o deputado Nikolas Ferreira ao comentar o ambiente na direita, buscando equilibrar a relação entre os dois aliados.

— Eduardo é uma liderança, Nikolas é uma liderança. Mas o Eduardo, por ter tido as contas bloqueadas, fica indignado porque acha que tem que ter a união da direita. Ele pensa que o povo tem que fazer mais, mas eu entendo o tempo das pessoas. Nikolas está comigo, é um moleque de ouro. É maduro, inteligente e ajuda expondo o PT — afirmou.

A declaração ocorre após um atrito público entre Nikolas e Eduardo, que expôs divergências dentro do bolsonarismo em meio à pré-campanha.

A discussão começou depois de Eduardo afirmar que Nikolas compartilha conteúdos de perfis que não declaram voto em Flávio. O deputado mineiro reagiu com um riso, e o ex-parlamentar respondeu dizendo que não havia “limites para o desrespeito” com a família Bolsonaro.

Após o episódio, Nikolas compartilhou um vídeo de Flávio pedindo “união na direita”, acompanhado da mensagem “concordo, presidente”. A divergência, segundo aliados, não é isolada e reflete uma tensão mais ampla sobre os rumos da pré-campanha.

Nos bastidores, o movimento está ligado à estratégia do senador de ampliar alianças para além do bolsonarismo mais fiel, incorporando novos nomes e promovendo negociações em diversos estados. Essa guinada tem gerado resistência entre aliados mais ideológicos e dentro da própria família.

O ambiente interno também foi alterado pela situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Com acesso restrito, a articulação política passou a depender ainda mais de quem está no entorno imediato, ampliando o peso da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e intensificando a disputa por influência.

Na entrevista, Flávio afirmou ainda que não vinha se articulando para disputar a Presidência, mas passou a ser considerado candidato após conversas com o pai sobre o cenário eleitoral.

— Eu nunca costurei meu nome, não rodei o Brasil. Meu foco sempre foi o Rio de Janeiro. As pesquisas diziam que eu tinha uma eleição tranquila — disse o senador.

Segundo ele, outros nomes da direita, como Eduardo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foram avaliados antes da decisão final.

— Nesse contexto, Bolsonaro disse: “tem que ser você” — completou Flávio.