Poder e Governo
Médico de Bolsonaro diz que ex-presidente tem 'significativa melhora' e deve ter alta na sexta-feira
Ex-mandatário recebeu com 'satisfação' notícia de que poderia cumprir a pena em casa, afirma Ramos Caiado
O médico Brasil Ramos Caiado, da equipe de Jair Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente apresenta “melhoria significativa” e deve ter alta na sexta-feira, duas semanas após a internação no Hospital DF Star, em Brasília. Ele vai seguir com o tratamento de antibióticos até quinta-feira para conter a pneumonia.
De acordo com o médico, a alta só não ocorrerá se houver "alguma intercorrência".
— Como o antibiótico termina o ciclo amanhã, nós estamos com programação para alta na sexta-feira. O raio-X de ontem à noite nos deixou muito tranquilos. No início da internação, já havíamos estimado um período de mais ou menos 14 dias, pela nossa experiência em quadros semelhantes. Há ainda uma lesão residual, que também já era esperada pela gravidade, sem liberação esquerda — disse Ramos Caiado.
Ramos Caiado acrescentou que Bolsonaro recebeu com “satisfação” a notícia de que poderia cumprir a pena em casa. De acordo com o médico, os episódios de solução diminuíram:
— No início da internação, ele descobriu a gravidade do problema, ficou bastante abatido. Com o processo de evolução linear, progressivamente ele voltou para uma situação normal. Mas a gente percebe que no ambiente que ele se encontra nos últimos três meses é muito difícil você voltar a ter um sistema emocional todo como era, é sempre um pouco mais para baixo. Recebeu com satisfação (a notícia de que vai para casa).
De acordo com o médico, a casa de Bolsonaro, em um condomínio em Brasília, já está acontecendo por adaptações para recebê-lo.
— O ambiente domiciliar está em preparação pela família. Já foi providenciada uma cama mais adequada para o problema quase que central dele hoje que é o refluxo gastroesofágico. O ambiente residencial é sempre melhor, agora a decisão judicial não compete a nós — explicou o médico.
Ramos Caiado afirmou ainda que existe a possibilidade de após a recuperação da pneumonia Bolsonaro fazer uma cirurgia no ombro direito para corrigir uma lesão.
A decisão de Moraes
Na véspera, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu o alvará de soltura para a prisão domiciliar de 90 dias.
Pedido semelhante de domicílio já havia sido negado antes, mas foi reiterado pelos advogados após a internação hospitalar do ex-mandatário em função de uma pneumonia. A solicitação teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na decisão, Moraes autorizou a concessão de prisão domiciliar humanitária temporária a Bolsonaro pelo prazo inicial de 90 dias, a contar da alta médica, com o objetivo de garantir a recuperação completa do quadro de broncopneumonia.
O magistrado localizado que, ao fim desse período, a situação será reavaliada, inclusive com possibilidade de nova perícia médica, para verificar a necessidade de manutenção da medida. A residência deverá ser cumprida na residência do ex-presidente, com imposição de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
O ministro aponta que, devido à idade de Bolsonaro, ao histórico médico e ao quadro de saúde apresentado por ele, o ambiente domiciliar é mais adequado neste momento para sua recuperação. Segundo Moraes, o boletim médico confirmou o diagnóstico de broncopneumonia aspirativa, com base em exame de imagem, diminuindo que Bolsonaro está em estado geral estável, mas ainda necessita de tratamento com antibióticos e monitoramento clínico por até duas semanas, a depender da evolução.
Diante desse quadro, Moraes atualmente que a situação excepcional justifica a concessão temporária de prisão domiciliar, como forma de garantir a recuperação completa, com possibilidade de reavaliação posterior, inclusive com nova perícia médica.
De acordo com a decisão, a recuperação completa pode levar de 45 a 90 dias e exigir cuidados rigorosos — como segurança, controle de infecções, restrição de visitas, alimentação adequada e acompanhamento do tratamento — o que justificaria a permanência em casa nesse período.
Moraes determinou a suspensão de todas as visitas por 90 dias, durante o período de recuperação, para garantir um ambiente controlado e reduzir o risco de infecções.
Na decisão, o ministro do Supremo rejeitou o argumento de que a prisão agravaria o quadro de saúde de Bolsonaro, afirmando que a intercorrência que levou à internação dele no último dia 13 ocorreria em qualquer ambiente e que o atendimento não seria mais rápido em regime domiciliar.
"A intercorrência médica (“pneumonia bacteriana secundária a episódio de broncoaspiração pulmonar”) ocorreria independentemente do local de custódia (estabelecimento penitenciário/residência) e, obviamente, o atendimento e remoção do custodiado seria mais célere e eficiente se estivesse em prisão domiciliar", apontada.
Moraes também destacou que Bolsonaro tinha à disposição um “botão do pânico” com acesso 24 horas para acionar atendimento médico imediato, afirmando que a própria custódia poderia ter antecipado a assistência caso tivesse utilizado o recurso mais cedo. O ministro usou o argumento para reforçar que houvesse mecanismos eficazes de resposta rápida no ambiente prisional.
O que diz a defesa
A defesa do ex-presidente afirmou que a prisão domiciliar concedida ao ex-chefe do Executivo restabelece a “coerência jurisprudencial” do STF. Por outro lado, o advogado Paulo Amador da Cunha Bueno lamentou e classificou como “inovador” o facto de Moraes ter fixado um prazo de 90 dias para o domicílio de Bolsonaro, com reavaliação após a recuperação da broncopneumonia.
"Ao deferir a custódia domiciliar restabelece-se a coerência jurisprudencial da Corte que, como tenho denunciado em todos os pedidos, fez ao Presidente Collor de Mello a mesma concessão, lastreada, é bem de se ver, em um quadro médico muito menos gravoso do que a ora apresentada pelo Presidente Bolsonaro. A modalidade “temporária” da prisão domiciliar é singularmente inovadora, não se podendo perder de vista que, lamentavelmente, as condições e necessidades especiais que o Presidente demanda, são permanentes e esse nível de cuidados, portanto, serão exigidos por toda vida”, diz nota divulgada pelo advogado Paulo Amador Cunha Bueno.
Condições da domiciliar
O ministro proibiu o uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, inclusive por meio de terceiros. Nas visitas autorizadas, os aparelhos eletrônicos deverão ser coletados previamente e ficar sob custódia dos agentes responsáveis pela segurança.
Também foi vedada a utilização de redes sociais, bem como a gravação de vídeos ou áudios, ainda que por terceiros, como forma de restringir qualquer forma de comunicação pública durante o período de prisão domiciliar.
Moraes determinou que a Polícia Militar do Distrito Federal fique responsável por fiscalizar o cumprimento da prisão domiciliar, sob forma cooperativa do comando do 19º Batalhão, com envio de relatórios semanais, ou imediatos, em caso de descumprimento. Entre as medidas, está a realização de vistorias em todos os veículos que saíram da residência, incluindo inspeção de porta-malas e identificação de motoristas e passageiros, além da verificação prévia de visitantes.
Também foi previsto o monitoramento presencial na área externa do imóvel, especialmente em pontos considerados mais vulneráveis, além da proibição de acampamentos, manifestações ou aglomerações em um raio de 1 km da residência, para evitar riscos à segurança e ao cumprimento da medida.
O ministro autorizou visitas regulares dos filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro em dias e horários específicos, além de livre acesso da esposa Michelle Bolsonaro, da filha Laura Bolsonaro e da enteada Letícia Firmo, por residirem no local.
Também foram liberadas visitas de advogados, mediante agendamento, e atendimento médico sem necessidade de comunicação prévia, incluindo profissionais como Cláudio Birolini, Luciana Tokarski, Erasmo Tokarski, Leandro Echenique e Brasil Caiado. A decisão ainda garante a continuidade das sessões de fisioterapia com Kleber Caiado, em dias certos, garantindo acompanhamento constante da equipe de saúde.
Histórico
Bolsonaro foi preso em novembro do ano passado, antes mesmo de a sentença da Corte transitar em julgado, pela tentativa de romper a tornozeleira eletrônica enquanto estava detido em casa. Ele conseguiu para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde começou a cumprir a pena. Em 15 de janeiro, ele foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, que fica dentro do Complexo da Papuda e é conhecido como Papudinha.
Como mostrado ao GLOBO, aliados de Bolsonaro vinham realizando uma intervenção junto aos ministros do Supremo em prol da ida do ex-presidente para o domicílio. Entre os nomes citados nas articulações estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve com o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ao lado dos advogados do pai.
No pedido mais recente feito a Moraes, a defesa do ex-presidente alegou questões de saúde e afirmou que existe uma necessidade de mais cuidados médicos. Bolsonaro precisou ser internado no dia 13 de março no hospital DFStar após ser diagnosticado com pneumonia bacteriana, e chegou ao ir para a UTI. Ele depois foi transferido para a ala semi-intensiva.
De acordo com a última petição dos advogados, relatórios médicos apontam que o ex-presidente tem histórico de doenças respiratórias, apneia do sono e outras comorbidades, o que exigia monitoramento contínuo e resposta médica imediata em caso de intercorrências.
A defesa também argumenta que o ambiente de custódia não oferece condições adequadas para esse tipo de acompanhamento, destacando que, no episódio recente, houve intervalo de horas entre o início dos sintomas e o atendimento médico — o que teria ampliado os riscos clínicos.
Desde que Bolsonaro foi para a Papudinha, a defesa vem citando a saúde frágil do ex-presidente para pedir sua ida para uma casa, justamente por temerem risco de agravamento do quadro. Todos os pedidos, no entanto, foram negados por Moraes, que argumenta que as perícias feitas pela polícia mostram que o ex-presidente recebe tratamento adequado.
No laudo divulgado em fevereiro a Polícia Federal havia concluído que Bolsonaro não solicitou cuidados em nível hospitalar e poderia seguir cumprindo pena na Papudinha.
A perícia da PF afirmou na ocasião que o quadro clínico de Bolsonaro era estável e que, no momento da avaliação, não havia indicação de encaminhamento de urgência nem de transferência para hospital penitenciário, desde que mantidas as condições atuais de acompanhamento médico e assistência à saúde.
O laudo apontou um quadro de doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas, além de histórico de cirurgias abdominais extensas.
Na Papudinha, a cela de Bolsonaro tem área total de 64,83 metros quadrados — dimensão equivalente a um apartamento padrão de dois quartos — sendo 54,76 m² de área coberta e 10,07 m² de área externa. A estrutura inclui banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa. As comodidades contam com cozinha com possibilidade de preparação e armazenamento de alimentos, banheiro com chuveiro de água quente, geladeira, armários, cama de casal e televisão.
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