Poder e Governo

O futuro de Cláudio Castro nas mãos do TSE: quem são os ministros que decidem o destino do ex-governador do RJ

Placar na Corte é desfavorável ao agora ex-governador, com dois votos em prol de sua condenação

Agência O Globo - 24/03/2026
O futuro de Cláudio Castro nas mãos do TSE: quem são os ministros que decidem o destino do ex-governador do RJ
Cláudio Castro (PL) - Foto: Reprodução

O ex-governador do Rio Cláudio Castro volta a ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira. O ex-chefe do executivo estadual é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e o atual placar na Corte é desfavorável ao agora ex-governador, com dois votos em prol de sua condenação.

Por que Cláudio Castro está sendo julgado?

Bastidores:

Nesta terça, o julgamento será retomado com o voto do ministro Nunes Marques, que no dia 10 de março, quando a análise tinha sido continuada, pediu vista antecipada e suspendeu a votação. A expectativa nos bastidores do TSE é que o magistrado, que foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, apresente um voto mantendo Castro elegível. O GLOBO apurou que o ministro deve reconhecer a gravidade das condutas descritas na denúncia e aplicar uma multa, mas sem considerar que o governador tenha tido atuação direta no caso.

Até o momento, votaram contra Castro os ministros Isabel Gallotti, que é a relatora do caso, e Antônio Carlos Ferreira, que é o atual corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Ao votar, o ministro Antônio Carlos afirmou que os envolvidos foram "pessoalmente responsáveis pela prática do abuso de poder".

— Incide a sanção de inelegibilidade sobre Cláudio Castro dada a sua participação direta no esquema (...), sobre Rodrigo Bacellar, como chefe da secretaria diretamente envolvida nos fatos ilícitos, além de operador do esquema e subordinado direto do primeiro investigado — afirmou Ferreira.

Em novembro de 2025, ao votar, a relatora Isabel Gallotti ressaltou que o conjunto de contratações sem respaldo legal configuraria abuso de poder.

Assim, o placar atual é de dois votos a zero contra o agora ex-governador do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira, depois que Nunes Marques votar, estarão na sequência os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, André Mendonça e Cármen Lúcia.

Encontro

O desembargador Ricardo Couto de Castro se reuniu com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, na manhã desta terça-feira. O primeiro encontro ocorreu no TSE, e durou cerca de 30 minutos. Em seguida, Ricardo Couto foi até a sede do STF, onde se reuniu com o ministro Edson Fachin. Não houve declarações do interino após os encontros.

Com a renúncia de Castro, formalizada na noite desta segunda-feira (23), o governador em exercício terá até 48 horas para convocar uma eleição indireta que definirá o novo chefe do Palácio Guanabara. Ricardo Couto assumiu o governo de forma interina em razão do afastamento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União). Ele foi impedido de exercer a presidência da Casa — e, consequentemente, de assumir o governo — por decisão do ministro Alexandre de Moraes, em processo que apura sua atuação no vazamento de uma operação contra o Comando Vermelho. O vice-presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), não integra a linha sucessória estadual.